Mostrando postagens com marcador Convivência democrática na escola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Convivência democrática na escola. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de abril de 2012

Vídeo-aula 28: Encaminhamentos pedagógicos na escola pública sobre a questão religiosa

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
A aula trata da presença da questão religiosa na educação, preliminarmente do ponto de vista legal, tomando o texto da Constituição Federal de 1988 e da LDB-EN, 9394/96 e dispositivos posteriores, em especial aqueles relativos ao ensino religioso em escolas públicas. A seguir, retoma os temas tratados na Aula 1, propondo encaminhamentos referentes ao tema da liberdade de consciência, de crença e de culto, em relação com os temas da alteridade, tolerância, respeito e ética, indicando limites da ação da escola nesse tema.

Professora Doutora Roseli Fischmann da Faculdade de Educação da USP. 

1 - O tema do ensino religioso nas escolas públicas na Constituição de 1988. 

2 - E.R.E.P. na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9394/97. 

3 – Convívio na escola, na sala de aula e diversidade religiosa: retomando a conversa. 

O tema do ensino religioso nas escolas públicas na Constituição de 1988 (trazem seu conteúdo de forma explicita a liberdade de religião).

Artigo 120 - Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito as valores culturais e artísticos nacionais e regionais. 

§ 1º - ensino religioso, de matricula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas publicas de ensino fundamental. 

§ 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada ás comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. (cerca de 180 línguas indígenas o que permite o culto em língua do próprio índio). 

Em outro slide a professora nos mostra o E.R.E.P. (Ensino Religioso de escolas Públicas - característica particular - direito a educação – direito a liberdade de religião e consciência) e não E.R. (Ensino Religioso - escola dominical - ligado as comunidades e as escolas confeccionais).

Artigo 33 da Lei 9394/96 - versão original - dezembro de 1996: 

O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas publicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os cofres públicos , de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos por seus responsáveis, em caráter: 

I - confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu responsável, ministrado pro professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados elas respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou 

II - interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa. 

O tema religião não é fácil de trabalharem espaço publico e torna-se bastante conflitante. E ara regularizar sua aplicabilidade temos, posteriormente, a seguinte situação. Depois de submetido à emenda, pela lei 9.475 de julho de 1997 redação ainda problemática do Artigo 33 da L.D.B. 

Art. 33- O ensino religioso, de matricula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas publicas doe ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedada quaisquer formas de proselitismo. 

§ 1º os sistemas de ensino religioso regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. 

§ 2º - Os sistemas de ensino ouvirão entidade civis constituídas pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso. 

Há muita briga e divergência no Brasil em termos de ensino religioso. 

Outras temáticas que estão ligados ao tema religiosidade ou religião não podem e não devem manifestar imposições pessoais. 

Cada professor deve estar preparado em termos de pluralidade escolar, também em termos de religião. 

O professor pode ou não colocar seu símbolo religioso em sala de aula. Ao expor seu símbolo pode causar inibição em seus alunos. 

Diretores colocando um altar o seu santo de devoção. Diretores e professores não podem invadir o espaço público. 

Retomando a conversa: pluralidade e singularidade: 

- identidade como construção plural, compondo a singularidade de cada ser humano; (as religiões de origem africana são muito discriminadas em sala de aula - pacto com o demônio). 

- múltiplos e diversos fatores, entrelaçados como memória e projeto, compondo a identidade (Alfred Schultz, Gilberto Velho). 

- o lugar da religião na construção da identidade: herança e eleição. Ajudar a criança na sua escolha religiosa, porém não interferir diretamente em sua escola. A criança teve ter a liberdade de consciência.

Devemos respeitar o espaço dos nossos alunos em termo de religião. 

A professora nos cita alguns casos de massacre em nome de fatores religiosos: judeus (holocausto), negros, índios, ciganos. Nos alerta para a intolerância em termos de crença religiosa. Perseguição em nome de Deus. A escolha não pode permitir intolerância a motivos religiosos. 

E finalizando a professora nos mostra o seguinte quadro: 

1 - a complexidade do fenômeno religioso e sua presença na construção da identidade para ser respeitados precisam respeitar o direito dos demais - não há argumento de "maioria" no tema religioso, não se pode impor, constranger, obrigar. 

- E a laicidade do Estado que garante a todos e a todas o direito a sua crença - ou descrença - respeitados os direitos de todos e todas, sendo o fundamento da diversidade religioso. A escola pública é a porta de entrada da criança para compreender que é como cidadão/cidadã e não pode, ali, sr discriminada. 

- A discriminação por motivos religiosos fere a ética e fere a Constituição do Brasil, sendo crime. 

Finalmente, nos mostra o seguinte quadro como suas observações finais: 

- Religião e Alteridade; Eu e o Outro - Devo respeitar a opinião e a religião do outro - Uma questão de ética. 

- Diversidade religiosa: respeito à diferença. Diferença não é desigualdade. (não tenho direito de discriminar e usar argumentos religiosos para mantê-los quieto) 

- Religião e Cidadania: Estado Laico.

- Estado laico: separação entre Estado e Religiões

Vídeo-aula 27: A produção da identidade/diferença - a questão religiosa

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
A aula trata da relação entre singularidade e pluralidade na construção da identidade de cada ser humano, no entrelaçamento de memória e projeto, e o lugar da questão religiosa nessa construção. Apresenta o modo como a Constituição Federal de 1988 trata o tema da liberdade de consciência, de crença e de culto, bem como da separação entre Estado e religiões, ou seja, o princípio da laicidade do Estado, garantindo a diversidade religiosa no Brasil e protegendo contra a discriminação.

Professora Roseli Fischmann da Faculdade de Educação da USP, leciona desde 1975, trabalha em diversos campos sócio pedagógicos, entre os quais escreveu o tema transversal Pluralidade Cultural que está inserida nos Parâmetros Curriculares do MEC. 

Mostra-nos, inicialmente, o sumário que contém: 

1 - Pluralidade e Singularidade 

2 - Diversidade religiosa 

3 - Constituição Federal - 1988 

4 - Em resumo (melhorar estruturação). 

Pluralidade e singularidade. 

Afirma que pluralidade e singularidade existem no interior de cada um do ser humano e no conjunto da sociedade. 

Cada ser humano faz sua historia - pluralidade de aspecto - origem familiar, bairro ode vive, escola que estudou, time para que torce – compõem a sua diversidade. É a base do relaciona e da democracia, sem isto não dá pensar em algo mais complexo. 

Mostra-nos em um quadro que pluralidade é a identidade como construção plural, compondo a singularidade de cada ser humano. É formada por múltiplos e diversos fatores entrelaçados como: memória, projeto, compondo a identidade (Alfred Schulz e Gilberto Velho). 

Nos não somos apenas o presente, mas o que guardamos em nosso memoria serve para estruturar e formar o nosso futuro. 

Só podemos construir o nosso futuro a partir do que a nossa memória pode nos oferecer. A memória serve também para elaborar. 

Em outras situações dependemos da memoria de outras pessoas; Serve para a composição de nosso futuro. 

Ao dizer quem sou, falo do que existe em minha memória: presente + passado + futuro. Tudo compõem a identidade, não é algo linear. 

O lugar da religião na construção da identidade: herança e eleição. 

Povos antigos: religião era ligada a cultura. 

Os ateus e agnósticos não devem ser discriminados, pois os valores professados por eles e elas devem ser respeitados. Os que têm fé (uni ou politeísmo - espiritualidade) vêm por herança (família nos oferece um modo de crer ou não crer) e posteriormente há uma eleição (eu vou acreditar ou não em isto ou aquilo). Eu, portanto, escolho o meu caminho religioso. 

Vamos construindo nossas identidade e dar-lhe valores. Crer ou não crer tem os mesmos valores - questões pessoais. 

Como compreender a religiosidade. 

1 - a religião está ligada a alteridade: eu e o outro – ligado a ética (quando o outro pensa como eu é confortável mas, quando o outro pensa e crê diferente torna-se diferente. Neste caso a pessoa não deve receber ou ter menos respeito do que eu. 

A alteridade ajuda estabelecer as relações. Existe o fato, porém eu tenho que respeitar esta diferença. Com os vizinhos, rua, ambiente escolar, ambiente profissional. 

Diversidade religiosa: respeito à diferença 

Monoteísta x politeísta. 

Monoteísta: judeus/ cristãos e maometanos ou muçulmanos

Politeísta: a maior parte das religiões. - religiões africanas, etc. Outros sem Deus: Budistas. 

Diferentes somos todos e cita que diferença não é desigualdade. 

A desigualdade é que o problema- nos precisamos ser diferentes, mas a igualdade do ponto de vista ético, do ponto de vista da cidadania ela existe, está lá e não pode ser tocada. 

A diferença é um direito que existe no pensamento, no modo de ser, em tudo aquilo que temos, inclusive em questões racional. 

Religião e cidadania: Estado laico 

Ponto crucial - a religião não pode me garantir mais direitos políticos. 

No Brasil, em termos de religião somos todos iguais. 

Escolha religiosa - depende de cada um, mas não pode permitir que eu fale assim: aquilo ou aquela verdade religiosa que eu acredito é melhor e assim ter mais direito. Somos todos iguais, em termos religiosos, perante a lei (Constituição). 

Estado laico: separação entre estado e religiões. 

O estado tem vida própria, independe de cada religião. 

O artigo 5º afirma que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, a igualdade, à segurança e a propriedade, nos termos seguintes. 

(...) 

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercícios dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias. 

Temos liberdade, portanto, de culto e religião. 

Artigo 19 - cerne do debate.

Artigo19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 

I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com ele ou com seus representantes relações de dependência ou aliança, na forma da lei, a colaboração de interesse público. 

II. Recusar fé aos documentos públicos; 

III. Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. 

O artigo 19 é importante porque dá direitos iguais a todos nós brasileiros. Combate o ranço político existente na monarquia e não dá privilégios a outras pessoas. 

Não há diferenças entre os brasileiros. No Império havia o pensamento que os imperadores eram melhores e deveriam ter um tratamento especial. Presença de aristocracia - sangue azul. 

A república afirma que o Estado não pode interferir em questões religiosas e somos todos iguais. 

A República coloca os seres humanos em seus lugares: devemos acreditar naquilo que vemos e ouvimos. Somos seres humanos e devemos nos colocar como tal, ou seja, seres humanos. Não somos melhores nem piores, apenas seres humanos. Devemos ter respeito a todos os seres humanos. Não existem religiões superiores e não pode haver distinção entre nos, brasileiros. 

1 - o tema das religiões tem âmbito histórico, antropológico, sociológico, politico e filosófico. (parte da consciência das pessoas vai para a sociedade, ganha dimensões teológicas e volta para dentro de cada um ou não...) 

2 - a escolha individual de crer ou não crer se dá no âmbito da consciência, do foro intimo, portanto inviolável. (cada um não pode criticar os outros... crimes de ódio porque não crê ou crê de forma diferente). 

3 - A diversidade religiosa garante a diferença, mas nada tem que ver com a desigualdade ("Diferentes somos todos" - P.C.N.s - Pluralidade Cultural). A diferença faz parte, mas a desigualdade não. Não podemos ser tratados de forma desigual. 

4 - A complexidade do fenômeno religioso e suas presença na construção da identidade para ser respeitados precisam respeitar o direito dos demais - não há argumentos de "maioria" no tema religioso, não se pode impor, constranger obrigar. O espaço do culto é privado. 

5 - É a laicidade do Estado que garante a todos e todas o direito a sua crença - ou descrença - respeita os direitos de todos e todas ,sendo o fundamento da diversidade religiosa. (a separação entre o estado e as religiões é o fundamento da república- respeitar com alegria e bom senso).

6 - A discriminação por motivos religiosos fere á ética e fere a Constituição do Brasil, sendo crime. (toda discriminação é um crime - crime de ódio).

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vídeo-aula 24: Gênero e diversidade sexual: desafios para a prática docente

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
Após uma breve passagem pelos conceitos de identidade e diferença, serão apresentadas algumas sugestões de encaminhamento do trabalho docente a partir de experiências realizadas em escolas públicas. Estas, engendradas com base nas manifestações culturais populares, comuns ao cotidiano discente local.Quais as contribuições do conceito de gênero para a educação? Como as relações de gênero, e a diversidade sexual que delas faz parte, afetam as práticas e interações estabelecidas no espaço escolar? Essas questões e também a enorme dificuldade em se romper com os padrões tradicionais de gênero são abordadas nesta vídeo-aula.

Professora Cláudia Vianna da Universidade de São Paulo - USP. 

Relação social de gênero, dando ênfase as práticas e interações que ocorrem no espaço escolar. 

Gênero e Diversidade Sexual: campos coletivos dos direitos sociais (ou seja, dos direitos humanos). O Estado e as politicas nacionais e locais interpretam e regulam várias das concepções de família, reprodução, educação, estilo de vida, muitas delas entrelaçadas com a construção das relações de gênero. Os costumes vão mudando e novas visões são observadas. O estado regula as entidades sociais, sendo a mídia e a escola são importantes parceiros. 

Duas dimensões de gênero: 

1 - gênero e sexualidade são socialmente construídos; 

2 - movimentos sociais: reivindicações coletivas.

Politicas públicas de Educação pós 1990 

Gênero e diversidade sexual > Agências multilaterais de educação com incorporação das demandas de movimentos sociais. 

Grande marco – Constituição Federal de 1988 - importante documento em direitos humanos: eliminar a discriminação contra a mulher, etc. 

Governo Fernando Henrique - MEC - aparecimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais - Ótica de Gênero. 

Orientação Sexual: Conceito de sexualidade/ Conteúdo em 3 blocos: 1 - corpo: matriz da sexualidade / 2: relações de gênero / 3: Prevenção de DST/AIDS. 

Elementos para a construção e elaboração de um currículo a partir dos temas gêneros e sexualidade. 

São inéditos e elogiados até hoje - importante documento normativo para a educação brasileira. 

Críticas: precária aplicabilidade, falta inicial e continua na formação dos professores, tema difícil de ser abordado, a subordinação ao trinômio: corpo - saúde e doença, não se dá destaque à diversidade social. 

Tema difícil de ser tratado em sala de aula dada a complexidade. 

Novos projetos e secretarias são criados na tentativa de se abordar o tema sexualidade e gêneros. 
Nascem vários programas: 

  • Educando para a igualdade, gênero, raça e orientação sexual; 
  • Formação docente para a cidadania e diversidade sexual;
  • G.D.A. - gênero e diversidade na escola;
  • Construindo a diversidade de gênero - premio para as redações de ensino médio e trabalhos acadêmicos (ensino superior);
  • Brasil sem homofobia, entre outros... 
Fragmentação e desarticulação entre os vários programas criados. 

Ocorre ainda enorme resistência desta temática na Educação. 
As diferenças sociais e de gêneros são relegadas ao segundo plano. 
Dificuldade em se romper os padrões tradicionais de gênero: 

Várias entidades fizeram uma pesquisa em 14 capitais e distrito federal reunindo várias entidades (Instituto Airton Senna e UNESCO entre outras).

Foram aplicados 16.400 questionários entre estudantes de 10 a 24 anos - 4.500 pais e 3000 professores (fundamental e médio): enorme desconhecimento da construção de nossa sexualidade e por outro lado uma enorme homofobia: forma de inferiorizacão da hierarquização da sexualidade em detrimento da homossexualidade. Realidade muito presente em nosso país, sociedade e escola e transforma as diferenças de gênero em desigualdade e exclusão. Percebe-se que 1/4 dos alunos não aceitaria amigo homossexual.

Alguns relatos (graves): 

1 - as identidades - homossexuais ou feministas são tidas como clandestinas e ocultas (forma dolorosa e solitária de se construir - sem apoio da família, escola, sem referência de modelos positivos. 

Grande discriminação contra os homossexuais - maior entre todas as discriminações - e muito valorizada entre os jovens - estereótipos do outro diferente - ideia muito cruel - eu não ser confundido com o outro (homossexual).

Outra pesquisa de 2009 - FIPE (Fundação de Pesquisas Econômicas) - nos evidencia que há predisposição em manter menor proximidade com determinados grupos sociais (distância social): homossexuais - 98,5%.

Desafios para a prática docente:

  • sair da naturalização e da reprodução de estereótipos de gênero;
  • sair da hétero-normatividade;
  • trabalhar com várias modalidades de feminilidade e masculinidade;
  • elaborar novas proposições politicas - tarefa difícil - luta em todas as esferas - dentro e fora da escola.
Como pensar na prática docente:

  • pouca formação inicial;
  • incentivo e apoio a proposta já existentes (desenvolvidas);
  • analisar criticamente livros e materiais didáticos que veiculem preconceitos de gênero;
  • denuncia do conhecimento cientifico que perpetua preconceitos;
  • tirar as hierarquias das diferenças individuais e coletivas que nos constituem para que se não se transformem em desigualdade.
Devemos colaborar para a formação e manutenção de uma sociedade mais justa, menos desigual e seres humanos, realmente, livres e com o desenvolvimento de projetos coletivos.

Vídeo-aula 23: Relações sociais de gênero: um direito e uma categoria de análise

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
A constituição das relações de gênero está diretamente ligada à ampliação do direito das mulheres e à crítica ao determinismo biológico como base das diferenças entre homens e mulheres. O propósito desta vídeo-aula é resgatar o caráter social do conceito de gênero que remete necessariamente à dinâmica da transformação social.

Professora Cláudia Vianna da Faculdade de educação da USP.


As relações sociais de gênero: um direito e uma categoria de análise.

  • luta por direitos - cidadania;
  • ampliação dos direitos das mulheres;
  • sair da naturalização das diferenças entre os sexos;
  • caráter social com distintos contextos históricos;
  • categoria de analise;
  • caráter social;
  • critica a hétero-normatividade compulsória. 
Relações sociais de gênero: dimensões da desigualdade. 

Algumas diferenças entre os brancos e negros entre quais evidencia que no ano de 2008 tínhamos 14 milhões de analfabetos no Brasil uma população igual a 10% sendo que os negros representavam 13,6% enquanto que os brancos apenas 6,2%. 

As pessoas que residem na zona urbana estudam mais tempo que as pessoas que moram na zona urbana e que no nordeste brasileiro o tempo de estudo é de 6,2 anos enquanto que no sudoeste brasileiro é de 7,7 anos. As mulheres mais jovens estudam mais que as mulheres mais velhas.

Os movimentos feministas são divididos em: 1ª e 2ª ondas. 

As entidades e valores feministas são conquistas.

1ª onda – século XIX - Europa e Estados Unidos - as mulheres tentavam obter como conquista o direito ao voto;

2ª onda - aprofundamento das questões sócias e politicas - luta contra o patriarcado familiar e contra o domínio do pai e do marido. Esta situação ainda se encontra em algumas sociedades humanas. 

Temos uma divisão sexual – mulher – elemento vinculado a cuidar dos filhos e de sua alimentação e os homens – marido – encarregado do trabalho remunerado e fabril. 

Como esta diferença de sexo é reduzida a polarização entre homens e mulheres - todos os homens e mulheres são iguais. Ocorre a hierarquização de masculino e feminino - o homem vale mais que a mulher, ou seja, o objetivo (homem) tem maior valor que a sensibilidade (mulher). 

Relação de gênero importante é o movimento L.G.B.T. - lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. 

Os movimentos sociais são símbolos do desafio de estruturas históricas. A sexualidade se torna uma questão política: símbolos de construção de reações sexuais de gêneros.

Avanços (desafios a serem conquistados) da mulher na sociedade atual: 

  • variedades de estruturas familiares e domésticas;
  • incorporação das mulheres no mercado de trabalho remunerado fora do lar;
  • estruturação global do movimento feminista;
  • questionamento da heterossexualidade compulsória. 
Permanência (desafios a serem conquistados) da mulher na sociedade atual: 

  • segmentação do mercado de trabalho (ainda temos uma assimetria - sempre favorecendo o homem, o homem ganha o dobro da mulher);
  • transposição do patriarcado para a fábrica;
  • socialização de gênero (na escola também);
  • heterossexualidade como padrão. 
Relações sociais de gênero: 

Diferenças biológicas X desigualdades sociais. 

Final dos anos 1960 tem o gênero como elemento usado para questionar a associação biológica para a distinção entre homens e mulheres. A diferença entre homem e mulher não se restringe aos aspectos biológicos, mas sim a elementos culturais.

Vários estudos problematizam a imutabilidade em relação diferentes entre homens e mulheres. 

Pesquisa de Margareth Meat - antropóloga -pesquisa etnográfica - na década de 1930 - na Nova Guiné: encontrou inversões de posição em relação a nossa cultura: as mulheres eram criadas para serem dominadoras, dirigentes da sociedade, dirigentes, objetivas e práticas, ao passo que os homens são: menos responsáveis, menos provedores e socialmente e economicamente mais dependentes das mulheres. Portanto, existe uma importante inversão de valores das sociedades ocidentais. 


Relações sociais de gênero:

Riscos: As tentativas de sair da neutralidade ou do silencio a proposito das diferenças dos sexos, parecem, contudo, na maior parte das vezes retomar um essencialismo construído sobre os lugares comuns masculinos ( COLLIN, 1991). 

Existência da anatomia cerebral específica para cada sexo: 

Mulheres: intuição, falta de aptidão pra ciências exatas, ampla habilidade verbal e o uso simultâneo de ambos os hemisférios cerebrais. Homens: melhor desempenho no espaço visual, matemático e cientifico (FAUSTO-STERLLING- 2000).

O gênero é um “elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos" (diferenças construídas socialmente).

Vídeo-aula 20: Diferentes possibilidades culturais no currículo escolar

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
Após uma breve passagem pelos conceitos de identidade e diferença, serão apresentadas algumas sugestões de encaminhamento do trabalho docente a partir de experiências realizadas em escolas públicas. Estas, engendradas com base nas manifestações culturais populares, comuns ao cotidiano discente local.

Professor Cesar Rodrigues - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP. 

As questões de identidades e diferenças e em que lugares ocorrem a produção de diferentes identidades e diferenças entre os discentes? 

Tais identidades e diferenças aparecem no(a): 

  • no contexto parental (família);
  • na comunidade local (local onde as crianças vivem e convivem com questões de identidades e diferenças);
  • na escola propriamente dita (as diferenças são acentuadas);
  • na mídia de uma maneira geral e na televisão de uma maneira especifica a partir da disseminação de uma identidade-referencia localizada dentro de certo grupo étnico-racial. 
Conceito de identidade 


"É o conjunto fenotípico, gestual, de vestuário, religioso, alimentar, linguístico e comportamental - todos legitimados culturalmente - que representam o modelo de ser humano ao qual a semelhança se deva buscar, pois, quanto maior a proximidade modelar de tal sujeito, maior a possibilidade de inserção social.No caso do Brasil, destaca-se como identidade a referencia ao ser humano, branco, europeu- estadunidense e masculino”. 

E na escola, onde estão as identidades e diferenças? Estão em todos os espaços escolares; porém, pode-se dizer que a sala de aula é o espaço escolar onde identidades e diferenças têm seus territórios demarcados. A relação entre os membros da comunidade escolar, sendo que alguns têm acesso a determinadas coisas (privilégios) e outros não tem. 

E como tais diferenças são perpetuadas? 

- A partir de um referencial branco; ou seja, meninas e meninos negros têm suas identidades construídas da partir da identidade- referência branca. 

De tal modo a se tornarem diferenças mesmo antes de suas entradas nas instituições de ensino (vão se tornando diferenciados pela ausência de seus fenótipos em ambientes escolares, ou seja, os brancos constituem a cultura hegemônica e os negros, como é minoria, constituem grupos a parte, permanecendo isolados ou ilhados dentro do espaço escolar). 

Por conta disso, várias implicações perpassam os seus cotidianos escolares, influenciando na construção de suas subjetividades: - os negros tem um conflito muito grande ao perceberem as dificuldade de seus fenótipos – (aparências) no enquadramento étnico-racial. 

Onde estão as outras possibilidades? 

  • nas culturas invisibilizadas pelo currículo escolar; 
E qual seria o local dessas culturas? Porque trabalhar essas possibilidades culturais?


Porque ao trabalharmos estaremos estreitando o afinamento entre os alunos e a escola. 

Culturas polares marginalizadas da população negra: desde o moreno até o preto (atrelamento de culturas populares ao currículo escolar). 

SUGESTÕES DE ENCAMINHAMENTO DO TRABALHO DOCENTE: 

  • omo ação inicial, traçar um perfil das(s) comunidades(s) da(s) qual; quais suas/seus alunos/alunas são egressos;
  • esse perfil pode ser feito, por meio de um mapeamento, de preferência com a participação direta do docente. 
A partir desse mapeamento cultural, elencar as facilidades e dificuldades encontradas para o trabalho com as manifestações culturais encontradas (onde vão os alunos, onde se divertem, que músicas gostam, visitar a comunidade, estudando e analisando, ou seja, traçar um perfil da comunidade observada). 

E a partir deste mapeamento iríamos atuar, embasando-nos nos fatores que podem favorecer o nosso trabalho.

Como dialogar o currículo escolar aos fatores culturais ou culturas existentes na comunidade?

  • primeiro será um trabalho com uma manifestação cultural nordestina, "Literatura de Cordel", presente na cultura patrimonial discente em grande maioria das escolas publicas brasileiras; (projeto desenvolvido o ano todo na escola - xilogravura e isogravura que trouxe com rimas). Trabalhou-se história a e questões sociais;
  • segundo o trabalho “Escola com samba” entendendo o samba aqui como uma manifestação cultural totalmente influenciada pelas culturas negras - (Lei 10.639) que introduz a história afro-brasileiro dentro do currículo escolar. Pode-se trabalhar o ano inteiro as questões sociais, culturais, geográficas, históricas e linguística significativa do samba;
  • pretendeu-se fugir das inserções curriculares "turísticas", ou seja, fazer com que as manifestações curriculares não apareçam apenas em datas pontuais; exemplos: Dia da Consciência Negra, Dia do Índio, etc;
  • levantar discussões a respeito da valorização da mulher na sociedade apenas na Semana ou no Dia da Mulher;
  • restringir as discussões sobre a situação de desvantagem social da população negra apenas na Semana da Consciência Negra; (restrições sofridas pela população negra). A cultura tem que aparecer todos os dias e não apenas em momentos especiais. E aparecer dentro de uma perspectiva interdisciplinar mais abrangente. 
Cuidados a serem tomados:

  • perpetuar o "mito da democracia racial", ao utilizar o argumento de todas e todos brasileiros serem mestiças/os e, por conta disso, não haver diferenças entre todos nos por sermos humanos, etc.;
  • não estar atentas/atentos as manifestações raciais explicitas e/ reveladas ou acontecidas em sala de aula ou em quaisquer outros lugares e / ou momentos vivenciados na escola; A intervenção docente nesses eventos é de crucial importância para a desconstrução dessas manifestações. 
Reflexões finais sobre o trabalho:

  • sobre a identificação da hegemonia cultural branca; (os efeitos são graves e conhecidos);
  • sobre a desconstrução dessa hegemonia e seus benefícios á população discentes das escolas publicas brasileiras (irar o poder do branco fará bem a todos);
  • a descolonização justiça curricular (trabalhar com diversas possibilidades dos continentes africano e asiático e não apenas trabalhar com currículo que cita a história do colonizador branco e europeu);
  • a questão autoral permeando essas desconstruções;
  • a possibilidade de um estreitamento entre as/os discentes e a escola. (maior relacionamento e entrosamento entre alunos e escolas - para cada contexto um trabalho diferente).

Vídeo-aula 19: Relações etnicorraciais na escola

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
A videoaula discute os conceitos de Raça, Racismo e Etnia, observando as correlações entre os mesmos e seus possíveis reflexos no cotidiano pedagógico, lançando mão dos estudos sobre as teorias racistas e os discursos antirracistas.

Professor Cesar Rodrigues da Faculdade de Educação da USP. 

O que é raça 

Apresentação do conceito a partir dos escritos de Munanga (2004)

  • sorte, categoria, espécie; 
  • utilizado na zoologia e na botânica para classificar espécies animais e vegetais;
  • como processo dos estudos em genética humana, biologia molecular e bioquímica; 
  • conceitos sem validade para explicar a espécie humana. Porém, isso não significa que todas as populações e seus indivíduos sejam geneticamente semelhantes;
  • o problema da utilização do termo para denominar a espécie humana;
  • rastro da hierarquização – escala de valores (biológico x qualidade de valores intelectuais, culturais e psicológicas);
  • como consequência dessa hierarquização, (raça branca passou a ser mais importante que a branca e amarela);
  • mesmo sem validade científica o termo raça continua valendo em nível politico-ideológico, pois tem vários significados em partes diferentes do mundo.
Racismo 

  • segundo o Dicionário Houaiss é o conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias, ou doutrina ou sistema politico fundado sobre o direito de uma raça (considerada pura e superior) de dominar outras;
  • de acordo com Kabenguele e Munanga, o termo foi criado na década de 1920 o seu conceito não é consensual (em cada país o conceito ganha novas configurações).
  • racismo clássico (raça com fundamentação) e o racismo novo (étnica ou grupo cultural, utilizada em caráter mais aceitável). 
Etnia: Segundo Munanga (2004, p.29): conjunto de indivíduos que histórica, ou mitologicamente, tem um ancestral comum, tem uma língua comum, tem a mesma religião ou cosmovisão, uma mesma cultura, moram geograficamente num mesmo território. 

A etnia passa a ser usado em lugar de raça por ser politicamente correto. 

Algumas etnias podem constituir sozinhas nações e substituir raça por etnia é apenas uma questão semântica (politicamente correto), porém as vitimas são as mesmas assim como as raças de ontem são as etnias de hoje. 

Um grupo racial pode ter muitas etnias, porém, uma etnia só comporta uma raça. A desigualdade continua sendo presente; relações desiguais de poder, hierarquização, escola e sociedade. 

Reflexão sobre: Somos um país de mestiços: afirmação perigosa. 

Por que perigosa? 

Apesar de parecer unificadora esconde as grandes diferenças entre as populações e reforça o mito da democracia racial. 

Geneticamente brancos e negros são iguais, porem as questões políticos ideológicos como ficam? 

Um pais de mestiço só acabaria com os problemas dos negros e a medida que somos mestiços as oportunidades seriam iguais, Porem os marcadores sociais mostram que os negros são mais prejudicados. Os negros têm dificuldades de acesso a terminados setores (econômicos, políticos, sociais, etc.). 

Podemos não te diferenças biológicas, porem as diferenças sociais e econômicas são evidentes. 

Diferentes ascensões sociais: o branco ganha mais que o negro.

Mito da democracia racial: aqui todos são avaliados por sua capacidade, independente de sua raça. 

E como são os discursos de desigualdade racial e/ou mestiçagem na escola? 

- Em que lugar esses discursos refletem? 

- Quem sofre as consequências diretas desses discursos. 

- O que é produzido por tais discursos? - Identidades e diferenças entre os alunos - as identidades brancas sempre prevalecem sobre as identidades negras (perversidade).

Refletem em todos os locais e principalmente nas salas de aulas: alunas e alunos negros. 

Quem leva vantagem é a população branca sobre a negra. 

Cabe aos professores a observação e identificação de preconceitos e observar nossas atitudes. 

Reflexão sobe a situação racial e atingir a questão da justiça curricular e social, para que possamos dar um tratamento equitativo – dar mais para quem tem menos (no caso favorecer mais o desenvolvimento da etnia negra). 

Dar uma educação que evidencie a igualdade e a oportunidade democrática, pois, infelizmente, os negros são inferiorizados nas escolas públicas.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Vídeo-aula 16: Encaminhamentos pedagógicos: blog no ensino de ciências

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
A aula tem por foco descrever uma experiência de implantação de prática pedagógica que objetiva o reconhecimento e o diálogo com as práticas das culturas juvenis da comunidade local: a tecnocultura. Essa prática teve por propósitos facilitar a aproximação com os estudantes, ter maiores chances de influência na formação de identidades voltadas a um meta solidária e para o bem comum e também para obter melhores resultados nos processos de ensino-aprendizagem nas aulas de ciências.

Professora Monica Fogaça da Faculdade de Educação da USP – São Paulo.

1 - Tecno-cultura nas culturas juvenis: a escolha do blog entre as mídias sociais. 

2 - Conduções da prática pedagógica 

A Internet é o ambiente prioritário do ambiente urbano, sendo influenciado nas suas identidades. 

A escola precisa aprender a construir um hibrido entre os valores escolares e os valores dos grupos juvenis. 

Atividade realizada no 9º ano na disciplina de Ciências. Foram seis classes com 35 alunos cada, nas aulas regulares onde o material da Internet foi usado em paralelo com material da web 2.0 

Mostra-nos como foi feita a escolha do blog entre as mídias sociais. 

Surge a partir da década de 90 - hoje é usada como mecanismo de produção (produzir, alterar e comentar) formado por mídias sociais (blog, wiki, redes sociais, podcast, videocast, RSS). 

Algumas ferramentas são síncronas (interação rápida - favorece o desenvolvimento de comunidades) e assíncronas (reflexão, pesquisa - produtor e eleitor não estão ao mesmo tempo na Internet - posso pensar sobre o assunto e fazer correção do texto produzido). 

Por que o blog? Baseado nos resultados obtidos: maior motivação, qualidade do texto, análise, aprofundamento. 

Tipos de usos: memória, divulgação de projetos, análise de casos, contatos e discussões com audiência mais ampla, resolução de problemas e trabalhos colaborativos. 

Como seria o uso do blog no 9º ano nas aulas de Ciências. 

1 - Mapeamento das práticas culturais. Percebe-se que Orkut é algo mais concreto e preferido pelos alunos. 

2 - Apresentação dos alunos em perfil e colocar uma fotografia numa folha de papel. 

Regra do jogo: descobrir algumas características dos alunos e dos amigos.

Construção de temas culturais

- Eu me remexo muito (praticas corporal; danças, esportes lutas) 

- Peleshop: ctrlv, ctrlc (aspectos estéticos). 

- Se liga Brow! (aspectos de uso dos aparelhos de telecomunicação). 

Cada tema foi trabalhado trimestralmente 

No primeiro item: dança – a biologia e a física no tema (respiração celular e leis de Newton). Usamos também conhecimentos de economia, etc. 

Uso do blog em paralelos. Os blogs criados em paralelos a todo o curso produzido por grupos - escolhiam foco as das aulas para descrever aspectos da ciência e tecnologia participantes dos temas escolhidos por eles. Circo, balé, vôlei, etc. foram temas estudados. 

Muitos produziram muito mais do que foi pedido - detestam escrever no papel, porém não em outros locais. 

- Negociação da prática cultural e observação de indicadores da gestão democrática - diferença entre o uso de tecnologia digital e noção de tecno-cultura. Permitiu-se o uso da linguagem da internet, porém a ideia central (dissertativo) foi mantida. 

- Leitura dos blogs para busca de pistas das representações de conceitos de identidade e para preparo das atividades didáticas. 

Levantamento dos conhecimentos prévios para o preparo das atividades posteriores.

Estudos de conceitos de física, química e biologia e de outra área (economia, história, linguagem) foram trabalhados com dois focos pares desconstrução: procedências (re-significar e ampliar os significados das culturas juvenis). 

Mudança sobre o conceito de tecnologia. Novas visões de tecnologia que não é apenas benéfica mas pode trazer outros problemas para o homem e afeta diferentemente o homem.

Assim podemos produzir um espaço de ensino e aprendizagem e podemos ter certa influência sobe a formação de suas identidades. 

Devemos usar a tecno-cultura em todos os seus aspectos no nosso dia escolar, garantindo desta forma uma melhor aprendizagem.

Vídeo-aula 15: Produção da identidade/diferença: culturas juvenis e tecnocultura

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
A aula tem por foco analisar a importância da tecnocultura na constituição das identidades e “diferenças” presentes nas culturas juvenis. Para isso, discute o que são as culturas juvenis defendendo seu aspecto social em vez de biológico; descreve algumas das características do fenômeno da juventude ao longo do tempo; prioriza a diversidade de características, contrariando a idéia de uma cultura juvenil universal. Por fim, enfoca as culturas juvenis urbanas e a relação estreita de grande parte dos jovens com a tecnocultura e seus efeitos sobre suas práticas e linguagens.

Professora Mônica Fogaça


Tecno-cultura, culturas juvenis urbanos, o mundo da Internet. 

Três etapas: 

1 – O que é o fenômeno da juventude? 

2 – Condições e discursos que produzem a identidade e a diferença nas culturas juvenis. 

3 – Culturas juvenis e a importância da tecno-cultura. 

Juventude: concepção natural ou concepção cultural (O que é ser jovem?) 

Ser jovem é maturação ou produto das condições históricas e dos discursos? 

Ser jovem na concepção natural (biológica): depende da ação de hormônios e de maturação biológica e programado geneticamente. 

Ser jovem na concepção cultural: depende da influência do contexto (sócio cultural). Para alguns autores ser jovem é um fenômeno cultural, porque é o resultado das condições econômicas, políticas e culturais de cada época e local. 

Exemplo: pessoas de 12 anos – no século XIX – estariam trabalhando, se preparando para casar ou já casados e com filhos.

No século XXI – são solteiros, com grande tempo de ócio, se preparando intelectualmente, realizando diversos cursos, estudando para terem um futuro mais tranquilo. 

As culturas juvenis surgem a partir da década de 50 (século XX) onde a juventude passa a disputar espaços e conquistas com as gerações mais velhas: roupas, cabelos, músicas, etc. 

Condições históricas e discursos 

As culturas juvenis são produzidas por condições históricas e discursos.

- Elite na Grécia Antiga – algumas pessoas – ricas e homens tinham direito ao ócio. Os homens jovens chegavam até os 40 anos de idade (juventude prolongada). 

- Invenção da infância no século XVII – separação das práticas de adultos e crianças (surgem noções de higiene, surgem os livros, mudanças nas arquiteturas das casas com a separação do mundo dos adultos do mundo das crianças). 

- Necessidades pós-revoluções industriais – produção da juventude na classe media. Com o surgimento das indústrias os jovens foram lançados no campo de trabalho e precisavam estar preparados para tal. Nos séculos XVIII e XIX os jovens são intensamente preparados para o campo de trabalho. 

Ocorre um aumento entre a fase da infância e a fase do adulto. Reserva-se mais tempo para a juventude. 

Na Europa e nos Estados Unidos ocorre a entrada da classe média no panorama social e econômico da época. 

- o estado de bem-estar social e surge a “juventude transviada” coincidindo com o auge do capitalismo. Aparece uma classe rica e uma classe pobre e o papel da mídia começa a ter sua importância. 

No Brasil de 1945 a 1975 quem ingressava na escola pertencia a classe média. 

Surge o jovem na mídia (rádio, TV e cinema, jornais, etc.). 

Quem é esse jovem? 

- um ser rebelde, que usa cabelos comprimidos, que consome drogas, que gosta de rock, que usa roupas características – coloridas e fora dos padrões normais. 

Atualmente: as crianças passam a ter acessos à mídia e descobrem o mundo do sexo, guerra, violência, drogas, problemas de trabalho, noticias do mundo todo, ou seja, o mundo do adulto chega muito, mas muito cedo ao mundo das crianças. As crianças de hoje são bem mais informadas do que as crianças das décadas finais do século XX. 

Na realidade a mídia passa a divulgar o que é a prática social, ou seja, qual é o papel verdadeiro do homem e da mulher na sociedade atual. 

- Noção da diversidade de culturas juvenis (identificação e re-significação) das mídias. Para a escola surge um elemento em potencial para aprimorar e aumentar o conhecimento. 

Estudos culturais: mudanças após a segunda guerra Mundial e como estas mudanças influenciaram o comportamento dos jovens a partir daí. 

Existem muitos tipos de culturas que são influenciadas pelos fatores: econômicos, sociais, culturais, políticas, históricos, étnicos, etc. 

Existe sempre uma cultura dominante (alicerçada no poderio econômico) e diversa outras culturas de menor alcance e profundida. As culturas menores sempre são influenciadas pela cultura dominante. Ex. Beatles na década de 60. 

Identidade dos dominantes e das diferenças: os padrões dominantes são divulgados e valorizados. 

As diferenças são desvalorizadas e procuram ocupar um espaço de destaque na cultura principal (exemplos os "emos", atualmente). 

Como a mídia se comporta diante da arte dos jovens e como ela divulga os seus valores. 

O jovem é divulgado pela mídia, atualmente, da seguinte forma: homem, do sexo masculino, forte, com o corpo sarado, rodeado de mulheres bonitas e rico. 

A mídia pesquisa os padrões, coletando e divulgando suas conclusões e trabalho em cima dos resultados obtidos, divulgando as características evidenciadas. A escola deve pesquisar o que os seus jovens pensam, querem, gostam, tem vontade de fazer e desta forma desenvolver sua programação, seu currículo, suas pesquisas e atividades em cima da preferência dos jovens. 

Ser jovem é uma conquista social e os jovens hoje tem mais tempo para formar os seus grupos (identificação cultural e social). Os discursos sobre os jovens: alguém que não sabe, que não conhece, que não tem preparo intelectual e que apresenta culturas que não são aceitas pela sociedade dominantes, algo que subverte os padrões atuais. 

O objetivo tem que valorizar a cultura jovem e mescla-la com a cultura da escola, promovendo o aparecimento de uma cultura hibrida. 

Tecno-cultura: é a cultura juvenil urbana (urbes: cidade) 

Aumento exponencial pelos jovens urbanos têm com a tecno-cultura (internet e aparelhos eletroeletrônicos). 

Pesquisa realizada e divulgada pela professora afirma que: 

Em 1999 – apenas 15% da população jovem tinham celulares e usava a Internet. 

Hoje, 2012 - 90% da juventude têm celulares e usar a Internet frequentemente. 

O celular é usado, preferencialmente, quando se deseja que um terceiro possa participar do dialogo existente. Existe um uso diversificado de aparelhos eletroeletrônico para diversos fins. 

A tecno-cultura é um conjunto de práticas diferentes do mundo moderno. 

Tecnologias digitais x tecno-cultura (cibercultura).


A tecno-cultura faz parte da identidade dos jovens: aparelhos com poderes diferentes para os jovens. Os "cyborgs" tem um processo de desnaturalização do corpo, do tempo, do espaço dos contextos, usando outras linguagens, outras formas de pensamento, com poderes e espelhos dos tempos. Muitos jovens incorporam em seu mundo a personalidade as figuras do mundo eletroeletrônico. 

Os jovens vivem tempos modernos usando outras formas de leitura e pensamentos. 

Surgem desta maneira, jovens inseguros em relação ao corpo e em relação ao mundo social, preferindo o mundo virtual da Internet onde os riscos de dores e sofrimentos são menores. Outras formas de intervenção no espaço e tempo são criadas.

Vídeo-aula 12: Multiculturalismo: encaminhamentos pedagógicos

MÓDULO III: DIREITOS HUMANOS E CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
Nesta videoaula, o currículo multiculturalmente orientado é apresentado como alternativa para valorização das diversidade cultural e, consequentemente, estratégia apropriada para a convivência democrática. Tanto a prática pedagógica quanto seus principípios são esmiuçados.

Professor Marcos Garcia Neira da Universidade de São Paulo. 


O multiculturalismo visa diminuir as diferenças culturais.



1 – Currículo multiculturalmente orientado:


  • prestígio de procedimento democrático; 


  • reflexão crítica sobre as práticas sociais; 

O currículo deve debater as práticas sociais (origem, estrutura e por que são diferentes). Toda decisão em torno do currículo é uma decisão política e que o currículo pode ser visto como um território de disputa em que diversos grupos atuam para a validação de conhecimentos. Portanto, é verdadeiro afirmar que, ao promover o contato com diversos textos culturais, o currículo, além de viabilizar acesso e uma gradativa compreensão dos conhecimentos articulados, influencia as formas de interpretar o mundo, interagir e comunicar idéias e sentimentos. 


  • promove o entrecruzamento das culturas;
  • resistência: a reprodução da ideologia dominante;


O currículo multiculturalmente orientado procura impedir a reprodução consciente ou inconsciente da ideologia dominante, presente, por exemplo, nas propostas que deixam de questionar as relações de poder e perpassam a produção e reprodução dos artefatos culturais. 

  • ênfase à política da diferença.

2 – Práticas pedagógicas no currículo multiculturalista: 


  • tematização: um mesmo assunto pode receber vários enfoques, ou seja, o tema não apresenta uma única verdade;

Tematizar é escolher um assunto e colocar sobre análise e abordá-lo de diferentes formas ou maneiras – colocar na realidade de nossa sociedade / contextualização, envolvendo alunos, professores e a sociedade de modo geral.


  • reconhecimento do patrimônio cultural da comunidade (o que os alunos sabem deve entrar na tematização). Os alunos se orientam a partir das representações que possuem. O conhecimento dos alunos tem valor semelhante ao que os “textos sabem”. 
  • hibridização: o currículo é mestiço no currículo multiculturalista. 


Devemos valorizar as várias culturas. É possível pensar em ações pedagógicas (ação dos professores) a partir das práticas sociais dos diversos grupos que chegam à escola, pela mediação, socialização e ampliação dos saberes, proporcionar-lhes uma melhor compreensão das teias que envolvem os produtos sociais, suas condições e modos de produção, pois este fato, é absolutamente necessário para o reconhecimento das diferenças e a diminuição da desigualdade. 


  • mecanismos de diferenciação pedagógica;

Devemos desenvolver diversas atividades que valorizam repertórios diferentes. 



O currículo multicultural tenciona posicionar os estudantes como sujeitos da transformação social e contribuir com a construção de uma sociedade mais democrática e justa. Dessa maneira o currículo deve priorizar a construção de práticas atentas à pluralidade de identidades dos alunos, assim como enxerga a escola como espaço-tempo de formação sensível a diversidade. 


  • pedagogia do dissenso: Se há diferentes representações nunca haverá um consenso, mas sim um dissenso. 

A partir de posicionamentos diferentes poderemos acessar os posicionamentos diversos. Na concepção metodológica dialética há visões diferentes de mundo e consequentemente diferentes discussões. A partir de diferentes visões posso me aprofunda e chegar a uma síntese. Desta maneira, não há elementos mais ou menos importantes e todos os assuntos são importantes e devem ser tratados. 


  • abordagem etnográfica: 

Devemos olhar o tema e tentar encontrar sua origem (etnia). 

Desta forma o que apresenta uma significação será valorizado e os outros não. 



Os alunos devem lembrar que: 



- todo conhecimento é transitório; 



- o conhecimento está sendo continuadamente construído; 



- o conhecimento pode e deve ser discutido. 


  • registro; a importância do desenvolvimento do registro para as atividades pedagógicas.

- garantem a localização pontual do percurso pedagógico: sei onde estou em minha atividade; 



- posso perceber se estou caminhando certo na elucidação dos meus objetivos para aquela atividade. 



- que mudanças ou modificações eu posso fazer ou manter o mesmo procedimento para se atingir os objetivos; 


- Rever o tempo usado para se atingir os objetivos (o tempo, inicialmente, planejado foi suficiente para que os objetivos fossem alcançados?)