Mostrando postagens com marcador Educação e construção de valores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação e construção de valores. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Vídeo-aula 28: O fenômeno do Bullying

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A aula aborda o conceito de Bullying (ou violência moral) esclarecendo o fenômeno que, embora presente há tempos na sociedade, vem preocupando aos educadores pela incidência crescente entre crianças e jovens. A partir de uma retomada histórica, propõe uma reflexão sobre o tema, apresenta a situação no Brasil e aponta alternativas para o manejo das situações que envolvem o fenômeno, assim como, ações preventivas que podem minimizar a incidência do problema nas escolas.

Kátia Pupo

Nós chamamos de bullying (termo em inglês) todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas e também que ocorrem sem uma motivação evidente adotadas por uma ou mais estudantes contra outro (s), causando dor e angústia dentro de uma relação desigual de poder.

Algumas ações estão incluídas no fenômeno do bullying, como:
  • Humilhações
  • Difamação
  • Constrangimento
  • Menosprezo
  • Intimidação
  • Ameaças
  • Exclusão
  • Perseguições
  • Agressão física
  • Roubo
As pesquisas no Brasil sobre o assunto começaram em 2003, mas este fenômeno começou a ser estudado há 30 anos na década de 70, por um sueco, chamado Dan Olweus, que desenvolveu um programa e fez uma pesquisa muito ampla, desenvolvendo um questionário que foi aplicado nas escolas para poder identificar o nível de bullying que acontecia nelas. O bullying não é um fenômeno novo, pois já faz parte da sociedade e acontece além da escola, incluindo não somente crianças, mas também adultos.


Filme sobre bullying nas escolas: Bang! Bang! Você morreu! conta histórias de jovens que sofre violencia na escola.
Sinopse do Filme:
Jovens podem ser mais cruéis que todos, naturalmente cruéis. 
As palavras de Trevor Adams, que já foi um estudante exemplar, refletem suas experiências no colégio. Ele era vítima de tão traumatizante perseguição de outros alunos que ameaçou destruir o time de futebol da escola. Mas a salvação veio através do Sr. Duncan, um professor de teatro, que ofereceu a Trevor o papel principal de sua peça, ao lado da bela Jenny Dahlquist. O professor e a garota tentam ajudar a Trevor manter-se na linha. Mas há um risco: o sombrio enredo sobre assassinos em um playground, combinado com o passado problemático de Trevor, faz com que os pais de outros alunos tentam vetar a peça. Se eles conseguirem é possível que a voz de Trevor jamais seja ouvido e isso pode detonar uma bomba-relógio humana.

A pesquisa da ABRAPIA (2003) nos oferece dados importantes:
  • 40,5% dos adolescentes já vivenciaram uma situação de bullying;
  • Geralmente acontece em sala de aula e essa invisibilidade ou a não interferência do professor agravam o problema;
  • 50% das vítimas não denunciam, por conta de se sentirem ameaçadas e não decepcionarem seus pais (baixa auto-estima);
  • Meninos – agressões físicas;
  • Meninas – intrigas, fofocas e exclusão.
Brincadeiras ou Bullying?
  • Ação repetida e intencional – Os educadores precisam diferenciar o que brincadeira de mau gosto e o que é bullying. Ele precisa acontecer repetidas vezes para ser caracterizado como tal.
  • Duração prolongada – o bullying pode durar vários anos.
  • Falta de motivação;
  • Desequilíbrio de poder – a vítima é indefesa e não tem capacidade de solucionar o problema. O mentor do bullying não o pratica, muitas vezes. Ele instiga outros alunos para que o faça por ele.
  • Impossibilidade de defesa.
Vitimas:
  • Pouca habilidade de socialização;
  • Dificuldade para reagir às agressões;
  • Características físicas, comportamento, condição socioeconômica, ou orientação sexual diferentes;
  • Hiperativos e impulsivos;
  • Muitas vítimas tornam-se agressores;
  • Não pedem ajuda por medo de retaliações ou por não quererem decepcionar os pais.
Agressores:
  • Ambos os sexos;
  • Desrespeito às normas;
  • Dificuldade de lidar com frustração;
  • Liderança;
  • Pequenos delitos;
  • Desempenho escolar regular e insuficiente;
  • Ausência de culpa;
  • Desafiadores e agressivos;
  • Dificuldade em lidar com figuras de autoridade;
  • Mentiras constantes.
Cyberbullying ou Bullying Virtual:
  • Uso dos recursos da Internet;
  • Efeito multiplicador e duradouro;
  • Anonimato: criação de perfis falsos pelo agressor;
  • Impunidade;
  • Maioria de adolescente;
  • Passível de ação penal.
Consequências:
  • Tendência ao isolamento
  • Dificuldade de participar das discussões em sala de aula
  • Queda de rendimento escolar
  • Fobia escolar
  • Mudanças de humor
  • Insônia, sintomas de dor de cabeça, estômago
  • Irritadas, ansiosas e tristes
  • Mais propensas a desenvolver transtornos afetivos, depressão, anorexia, bulimia, síndrome do pânico;
  • Suicídio e homicídio.
Intervenções possíveis:
  • Conscientização;
  • Sensibilizar a comunidade (todos os agentes escolares);
  • Ambiente de confiança, solidário e ético (assembleias para discutir as regras de convivência, estimulando os estudantes a falar sobre os seus sentimentos);
  • Dar apoio e proteção ás vítimas;
  • Estabelecer regras e limites claros;
  • Aplicar sanções sem tolerância em casos de bullying.
Cartilha sobre Bullying

Vídeo-aula 27: Práticas de cidadania

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A elaboração e desenvolvimento de projetos de atenção à comunidade, e seus pressupostos psicossociais, são a base desta vídeo-aula da Profa. Patrícia Junqueira Grandino.

Perspectiva psicossocial sobre a realidade social
  • Concepção construtivista e histórico-cultural compreende que a realidade social é construída historicamente;
  • O sujeito humano produz e é determinado pela realidade social;
  • Aquisição de conhecimentos – dar sentido ao mundo; constitui processo dialético entre a atividade simbólica e a atividade.
Implicações da perspectiva construtivista na abordagem psicossocial
  • Enfatiza as representações sociais do processo saúde-doença em diferentes grupos ou sociedade;
  • São as representações que orientam as ações de todas as pessoas. É preciso compreendê-las, bem como compreender o sentido pessoal que cada um atribui às experiências, caso se objetive interferir nas ações.
Contribuições da psicologia para o atendimento em programação da saúde
  • Reconhecimento do sujeito humano ampliado pela compreensão psicológica, emocional; resultado do entrecruzamento das dimensões histórico-cultural, biológica, inter e intrapessoal;
  • Reconhecimento das formas de produção de subjetividade que implicam em crenças e determinam posturas e modos de agir nos sujeitos;
  • A relação entre o saber oficial (científico, médico) e o saber popular, precisa ser mediado pela compreensão do sentido construído pelo sujeito (e seu grupo) e pelas representações que subjazem a esse saber.
Etapas para e elaboração de atenção direta
  • Reconhecimento, caracterização e contextualização do campo;
  • Estabelecimento de parcerias com comunidades-alvos e seus representantes;
  • Levantamento conjunto das demandas a serem atendidas;
  • Problematização das demandas e definição dos temas dos projetos.
Elaboração dos projetos
  • Objetivos;
  • Definição do público;
  • Metodologia e estratégias de intervenção;
  • Resultados esperados;
  • Cronograma.

Vídeo-aula 24: Diversidade/pluralidade cultural na escola

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


Na aula “Diversidade/Pluralidade Cultural na Escola” busca-se expor como o tema da diversidade cultural/étnica toma novos contornos a partir do final da década de 1990, com a publicação de parâmetros e diretrizes educacionais, além novas leis e definições sobre o tema. Para levantar questões sobre o complexo e urgente desafio de se lidar com as diferenças, que se multiplicam e deslocam no contexto escolar, analisam-se as seguintes categorias: O outro como fonte de todo mal; O outro como sujeito pleno de uma marca cultural e O outro como alguém a tolerar.

Daniele Kowalewski

Educação e construção de valores:
  • Maior acesso e diversidade;
  • As dificuldades de se lidar com a diferença / diversidade / pluralidade/ multiculturalismo;
  • A Igualdade e a Diferença.
Algumas categorias para pensarmos:

Segundo Silvia Duschatzky e Carlos Skliar em “O nome dos outros. Narrando a alteridade na cultura e na educação”:
  • O outro como fonte de todo mal;
  • O outro como sujeito pleno de uma marca cultural;
  • O outro como alguém a tolerar.
Histórico e Diretrizes: questões das diferenças como assuntos educacionais.
  • Constituição de 1988: tema da Pluralidade é abordado.
  • 1996: LDB aborda alguns parágrafos destinados às diferenças com foco na educação indígena.
  • 1998: publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, a Pluralidade Cultural passa a ser um dos temas transversais da educação brasileira.
  • 2003: Lei 10 639: obrigatoriedade da história da África e Cultura afro-brasileira em nossas escolas.
  • 2005: Diretriz Curricular Nacional para a Educação Étnico-Racial.
  • 2007: Publicação do Programa Ética e Cidadania com textos de autores consagrados e ideias de atividades para que este trabalho seja contemplado no âmbito das escolas.
  • 2010: assinatura do Estatuto da Igualdade Racial:
    • Discriminação racial passa a ser definida como “distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em etnia, descendência ou origem nacional”;
    • Desigualdade racial ficou definida como “as situações de diferenciação de acesso e gozo de bens e serviços e oportunidades nas esferas pública e privada;
    • População negra é formada por todas as pessoas que se classificam como tais ou como pretos, pardos ou outro termo parecido.
Algumas experiências e questões:
  • Oficinas com professores e trabalhos em sala de aula: trocas constantes;
  • Questões mais polêmicas: as cotas raciais;
  • O que fazer na escola quanto a temática da pluralidade?
  • Será que nós, educadores, conseguimos lidar com todas as diferenças?
  • É possível ensinar sobre o outro sem torná-lo exótico?
  • Afinal, como é possível educar na diferença?

Vídeo-aula 23: Assembléias escolares e democracia escolar

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


Neste vídeo, produzido pelo MEC e pela TVE, apresenta-se a proposta das assembléias escolares, como o momento institucional da palavra e do diálogo. Sua implementação solicita a transformação das relações interpessoais, ao mesmo tempo que intervêm na construção psicológica e moral de seus agentes. Com as assembléias atinge-se a finalidade de promover a participação das pessoas nos espaços de decisão e de democratizar a convivência coletiva e as relações interpessoais.

Assembleia é o espaço do diálogo para encontrar soluções para os conflitos na escola, concretizando uma escola democrática e participativa.

São propostos três tipos de assembleias:
  • Assembleia de classe: a partir de uma pauta pré-estabelecida são apresentadas as críticas, felicitações e soluções em sala de aula e colocadas em cartazes. Criticas aos fatos e não às pessoas. A regra de ouvir e esperar a vez par falar deve ser colocada.
  • Assembleia de escola ou de curso: participam os representantes de todas as turmas, professores, funcionários e a direção da escola. Apresentação de uma pauta pré-estabelecida com felicitações, críticas e sugestões. Escrever um cartaz mostrando para as classes as decisões tomada durante a Assembleia da escola ou de curso.
  • Assembleia docente: uma vez por mês os professores se reúnem com a coordenação e direção da escola com uma pauta pré-estabelecida para colocar críticas, felicitações e sugestões.
Os eventos descritos nesta vídeo-aula ocorreram na cidade de Campinas ( interior de São Paulo ) e visou a abordagem de problemas que ocorreram de forma corriqueira em uma escola. 

Esta nova análise aconteceu quando passou-se a incorporar nesta Unidade Escolar o termo Assembleia , na qual se fazia a análise de eventos (fatos) bons e ruins. Percebeu-se que houve enorme aceitação desta nova metodologia de análise e resolução de problemas e incorporação do mesmo à rotina escolar. 

A Escola Comunitária Escolar (ECC) foi fundada em novembro de 1977 e, atualmente, tem 1500 alunos, sendo criada pelos pais de alunos e teve como Diretora inicial a Senhora Amélia Palermo que afirma que houve, até os dias de hoje, a manutenção da mesma filosofia e propostas do Projeto Político-Pedagógico. Visa basicamente, além da instrução normal de toda e qualquer Entidade Educacional o desenvolvimento de princípios práticos que levem o aluno a seu pleno desenvolvimento moral. 

A Assembleia prima pela presença do diálogo e tentar resolver conflitos existentes entre os alunos de uma forma diferenciada. Busca o estabelecimento e instalação de uma escola democrática onde todos podem participar: todos podem criticar, colocando suas observações e ideias, havendo a incorporação de novos trabalhos e expondo seus pensamentos. Buscar lidar com os conflitos que surgem no dia a dia e buscar encontrar no diálogo entre alunos e professores a solução de problemas para tais desavenças, o que gera, indubitavelmente, o espirito de autonomia nos alunos. A busca por esta autonomia, por parte dos alunos, pareceu-me ser o ponto principal deste Unidade Escolar.

(Colaboração do discente Antônio Miguel Garcia, Toka, do Polo de Bauru, Curso 35)
 

Vídeo-aula 20: Violência e educação: Violência nas escolas

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A aula discute a importância do diagnósitco sobre as práticas de violência que acontecem na escola (onde, quem, com quem, contra quem) para construir alternativas de ação, verificando o que a escola pode fazer e quais os parceiros (conexões) necessárias.
Violência física
Flavia Schieling

“Se puderes olhar, vê, e se puderes ver, repara”. José Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira”. Reparar significa olhar atentamente.

Falar sobre a violência não é fácil, pois ela emudece.

O que compete e o que não compete à escola?

Produzir um diagnóstico e pensar em possíveis formas de ações.

São estes os eixos para reflexão:
  • Quais são as violências que aparecem na escola?
  • Violência – situações de ordens distintas contidas numa mesma expressão.
  • Violência extra escolar – ao entorno da escola.
  • À escola cabe o papel de construir conexões com a comunidade, através de projetos.
  • A violência familiar acaba penetrando no comportamento das crianças. Cabe à escola estabelecer conexões com setores da saúde e o Conselho Tutelar, por exemplo.
  • A violência da discriminação é algo muito presente no cotidiano escolar.
Violência na escola
Não é uma tarefa fácil, afinal a escola enfrenta diversas dificuldades e precariedades. Por isso, o coletivo deve estar unido à equipe gestora e à responsabilidade do governo, seja ele municipal ou estadual.

Vídeo-aula 19: Podem a ética e a cidadania ser ensinadas?

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


Muitas vezes, acreditamos ser a preocupação com a formação ética mais uma das novas atribuições da escola, em função de sua crescente presença na contemporaneidade. No entano, esse tipo de preocupação remonta pelo menos ao início da tradição do pensamento ocidental. A possibilidade e os desafios da formação ética foram tema recorrente dos diálogos e escritos de filósofos, escritores e poetas da Grécia Clássica. Destacamos alguns trechos desses diálogos, cuja leitura pode ainda guardar interesse para nós hoje.

Período homérico - As pessoas já nascem virtuosas ou não

Aquiles, modelo de guerreiro perfeito, concorda em entrar na luta. Pronto para a batalha, vestindo a armadura que lhe fez o deus-ferreiro Hefesto, ele brilha como o sol. Seus maxilares se trancam, seus olhos
lançam fagulhas. Com voz plangente como uma trombeta ele chama seus cavalos imortais, que nenhum outro homem consegue dominar, e um dos animais lhe responde. Sim, diz o corcel, ainda desta vez eles trarão de volta seu dono, são e salvo, ao campo grego, porém o dia de sua morte já se aproxima e quando este chegar, ainda que eles tivessem a velocidade e a força do vento oeste, não seriam capazes de salvá-lo. “Você está destinado a morrer violentamente, Aquiles.” A resposta de Aquiles é impaciente: “Não perca fôlego em dizer isso, pois eu sei. Sei muito bem.” Com um grito assustador ele lança seu carro de guerra em direção à linha de frente. (Homero - Ilíada)

Período socrático e pós-socrático - discussões sobre o ensino das virtudes

Os homens tornam-se bons e virtuosos devido a três fatores, e estes são, a natureza, o hábito e a razão. Ora, a razão e a inteligência são os fins da nossa natureza. Por isso é necessário preparar-lhes a formação e o cultivo dos hábitos. Já se disse que a natureza devem ser os futuros cidadãos [...] o resto é obra da educação.
Realmente toda arte e educação esforçam-se por completar o que falta à natureza. Ninguém porá em dúvida que ao legislador incumbe, sobretudo o cuidado à educação. Pois o costume adequado a cada constituição sói defendê-lo e, no começo fundá-lo também… E sempre o costume melhor é a causa de melhor constituição. É claro, então que compete às leis regularem a educação e torná-la pública. (Aristóteles - A Política)

"Em verdade, com este meu caminhar não faço outra coisa a não ser convencer-vos, jovens e velhos, de que não deveis vos preocupar nem com o corpo, nem com as riquezas, nem com qualquer outra coisa antes e mais que com a alma, a fim de que ela se torne excelente e muito virtuosa, e de que das riquezas não se origina a virtude, mas da virtude se originam as riquezas e todas as outras coisas que são venturas para os homens, tanto para os cidadãos individualmente como para o Estado. Se ao falar desta maneira corrompo os jovens, está certo, isto significará que minhas palavras são nocivas, mas se alguém afirma que falo diferentemente e não deste modo, então diz coisas insensatas. Por tudo isso, permiti que vos diga, ó cidadãos atenienses: ou dareis ouvidos a Ânito, ou não dareis, absolver-me-eis ou não, mas, de qualquer forma, tende a certeza de que nunca agirei de outra maneira que esta, mesmo que não só uma, mas muito mais vezes devesse morrer." (Platão - A Defesa de Sócrates)

Aristóteles e a defesa de que as virtudes podem ser ensinadas

Portanto, nem por natureza nem contrariamente à natureza a excelência moral é engendrada em nós, mas a natureza nos dá a capacidade de recebê-la, e esta capacidade se aperfeiçoa com o hábito. (...)
Logo, acontece o mesmo com as várias formas de excelência moral; na prática de atos em que temos de engajar-nos dentro de nossas relações com outras pessoas, tornamo-nos justos ou injustos; na prática de atos em situações perigosas, e adquirindo o hábito de sentir receio ou confiança, tornamo-nos corajosos ou covardes. O mesmo se aplica aos desejos e à ira; algumas pessoas se tornam moderadas e amáveis, enquanto outras se tornam concupiscentes ou irascíveis, por se comportarem de maneiras diferentes nas mesmas circunstâncias. Em uma palavra, nossas disposições morais resultam das atividades correspondem às diferenças entre nossas atividades. Não será pequena a diferença, então, se formarmos os hábitos de uma maneira ou de outra desde nossa infância; ao contrário, ela será muito grande, ou melhor, ela será decisiva. (...)
Devemos considerar agora o que é a virtude. Visto que na alma se encontram três espécies de coisas – paixões, faculdades e disposições de caráter -, a virtude deve pertencer a uma delas.
Por paixões entendo os apetites, a cólera, o medo, a audácia, a inveja, a alegria, a amizade, o ódio, o desejo, a emulação, a compaixão, e em geral os sentimentos que são acompanhados de prazer ou dor; por faculdades, as coisas em virtude das quais se diz que somos capazes de sentir tudo isso, ou seja, de nos irarmos, de magoar-nos, ou compadecer-nos; por disposições de caráter, as coisas em virtude das qual nossa posição com referência às paixões é boa ou má. Por exemplo, com referência à cólera, nossa posição é má se a sentimos de modo violento ou demasiada fraco, e boa se a sentimos moderadamente; e da mesma forma no que se relaciona com as outras paixões. (...)
Por conseguinte, se as virtudes não são paixões nem faculdades, só resta uma alternativa: a de que sejam disposições de caráter. (...)
Analogamente, no que tange às ações também existe excesso, carência e um meio-termo. Ora, a virtude diz respeito às paixões e ações em que o excesso é uma forma de erro, assim como a carência, ao passo que o meio-termo é uma forma de acerto digna de louvor; e acertar e ser louvada são características da virtude. Em conclusão, a virtude é uma espécie de mediania, já que como vimos ela põe a sua mira no meio-termo. (...)
A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consistente numa mediania, isto é, um justo meio relativo a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática (prudência / fronesis). E é um meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às ações e paixões, a virtude encontra e escolhe o meio-termo. (...)
Tanto a virtude como o vício está em nosso poder. Com efeito, sempre que está em nosso poder o fazer, também o está o não fazer, e sempre que está em nosso poder o não, também está o sim. (...) 
(Aristóteles - Ética a Nicômaco)

Vídeo-aula 16: A construção de valores e a dimensão afetiva

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


Apresentamos, nesta vídeo-aula, a perspectiva da afetividade como organizadora do pensamento e, desta forma, como parte fundamental na construção de valores. Ao final, apresentamos algumas indicações de trabalho com os sentimentos na escola.

Prof. Viviane Pinheiro

Segundo Piaget a afetividade é fonte de energia para a cognição e como um dos aspectos organizativos do psiquismo humano. A afetividade (motivacional) é tão importante quanto a cognição na psique humana. 

Exemplo: a gasolina ajuda o carro a andar, ma tampouco modifica o motor do carro.

A afetividade como “fonte de energia” para a cognição e a afetividade como um dos aspectos organizativos do psiquismo humano.

Os sentimentos de vergonha e culpa

Vergonha: relaciona-se à forma como o outro me vê; desejo de se esconder ou escapar;

Culpa: relaciona-se à auto-avaliação do sujeito; desejo de se confessar, de se desculpar.

Aspectos que os relacionam:
  • São sentimentos morais
  • São tidos como negativos
  • São atribuições internas, mas vivenciadas em relações interpessoais
  • Emergem da regulação dos valores morais
Implicações educacionais:
  • Os sentimentos são objetos de conhecimento na escola, para reflexão entre os alunos
  • Não minimizar vínculos afetivos
  • Respeito à diversidade a partir do valor tolerância regulado pelos sentimentos morais
  • Promoção de um ambiente mais saudável e feliz, em que os sentimentos positivos levem à resolução de conflitos morais para um mundo mais justo e solidário

Vídeo-aula 15: Dimensões constitutivas do sujeito psicológico

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


Nesta vídeo-aula, vamos discutir a multidimensionalidade constituinte do psiquismo humano, e como as dimensões cognitiva, afetiva, sóciocultural e biológica se articulam no funcionamento psicológico para explicar a complexidade de nossos pensamentos e ações.

O SUJEITO PSICOLÓGICO

Constitui-se na interação com o meio (coisas, pessoas e cultura) através de um mundo consciente e inconsciente.

Existem quatro dimensões constitutivas do sujeito:

  • Biológico (organismo humano)
  • Cognitivo (inteligência, parte intelectual, Piaget)
  • Afetivo (afetos, emoções e sentimentos)
  • Sócio-cultural (crenças e cultura)

Esses fatores, simultaneamente, interagem entre si, formando a complexa identidade deste sujeito. Cada um de nós está conectado em todas estas dimensões e se interagem no dia a dia.

Nesse contexto, é necessário que nós, como agentes da educação, estejamos atentos ao analisar o nosso aluno de maneira diferenciada, pois ele é fruto de todas as dimensões complexas que o compõe e sua interação com o meio, causando possíveis oscilações no comportamento.


Todas essas dimensões se interagem simultaneamente o tempo todo, e o resultado dessa interação é a formação do homem, que na escola, são os alunos e professores. Seguindo essa lógica, na escola não se separa o “eu professor” do “eu pessoal”, os problemas pessoais não param quando se entra na escola ou vice-versa. O sujeito psicológico é único, não há separação. E acontece o mesmo com os alunos, os problemas biológicos podem afetar a parte afetiva e sócio-cultural que pode atrapalhar a parte cognitiva. Nesse contexto, é importante que nós profissionais da educação, estejamos atentos ao julgar o nosso aluno, pois ele é fruto de todas as dimensões complexas que o compõe e sua interação com o meio. Mas o contrário também se faz verdade: o aluno não pode julgar o professor. E o mais importante é: não se pode colocar a culpa em uma dimensão para ser a justificativa de um problema do professor e/ou aluno.

Vídeo-aula 12: Perspectivas atuais da educação em valores

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A educação em valores precisa para ser efetiva precisa ocorrer em todos os momentos da vida escolar, e não apenas em momentos específicos ou por meio de disciplinas. Para isso, precisa estar articulada com a comunidade do entorno da escola e ser baseada em situações da vida cotidiana das localidades onde vivem os estudantes.



Prof. Ulisses Araújo.
Como a comunidade escolar pode se envolver na construção de valores?
A articulação entre escola e comunidade acontece através de quatro movimentos:
  • Gestão por meio de um fórum;
  • Educação comunitária (para "fora" da escola);
  • Currículo e cidadania (para "dentro" da escola);
  • Protagonismo juvenil.
Qual é o papel do fórum escolar de ética e cidadania?
O fórum tem como papel essencial articular os diversos segmentos da comunidade, escolar e não-escolar, que se disponham a atuar no desenvolvimento de ações mobilizadoras em torno das temáticas de ética, democracia e cidadania no convívio escolar, tocando de forma específica quatro eixos de atuação: ética, convivência democrática, direitos humanos e inclusão social.
Como trabalhar o protagonismo juvenil?
Tanto em seu projeto político-pedagógico como em seu planejamento institucional, a escola precisa considerar a realização de projetos e ações que ao mesmo tempo, promovam o acesso aos bens culturais exigidos pela sociedade contemporânea e garantam uma formação política aos jovens de modo a lhes permitir participar da vida social de forma mais crítica, dinâmica e autônoma.

Vídeo-aula 11: Perspectivas atuais das Pesquisas em Psicologia moral

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A aula aborda conceitos e teorias importantes sobre a moralidade, na perspectiva da Psicologia Moral. Além disso, discute algumas implicações dessas descobertas para o campo da educação.

Profª Viviane Pinheiro diz que a moralidade faz parte da nossa identidade, de quem nós somos.

Os valores se situam na dimensão afetiva.
"Os valores referem-se a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior. Surgem da projeção de sentimentos positivos sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmos.” (Araújo, U. A construção social e psicológica dos valores. In: Educação e valores: pontos e contrapontos. São Paulo: Ed. Summus, 2007).

Sujeitos têm papel ativo na construção de valores.
Valores podem ser morais ou não.
A moralidade não se guia apenas pelo princípio da justiça.
Valores vão se constituindo como centrais e/ou periféricos no sistema moral do sujeito.
Importância das situações (contexto) que são vivenciadas pelo sujeito para essa construção.
Exemplo 1: Responsabilidade X Amizade. Recusa da ajuda de um amigo. O valor de responsabilidade se mostrou central e o de amizade periférico.

Exemplo 2: O valor de amizade é central e o de responsabilidade é periférico. O amigo se sente feliz em ajudar o outro amigo.Existe uma regulação dos valores pelos sentimentos.Os valores integram-se e vão se organizando no sistema moral dos sujeitos de uma forma hierárquica.A integração dos valores também exerce papel de regulação no sistema moral.

Exemplo 3: O sujeito tem amizade e generosidade como valores centrais e a responsabilidade atua como valor periférico.

Implicação dessas descobertas para a educação em valores:

- Papel ativo do sujeito na construção de valores.

- Educação moral, reflexiva e metodologia ativa de aprendizagem (sujeito se coloca no lugar de construtor do seu próprio conhecimento).

- Os valores podem ou não ser morais. Para isto é necessário trabalhar com diversos valores, não apenas com regras e deveres que devem ser cumpridos pelos alunos e alunas.

- Construção e elaboração dos valores como centrais e periféricos e a importância das situações (conteúdos do meio).

- Elaborar sequências didáticas e projetos voltados para a construção de valores pelos alunos e alunas em diversas situações.

- Regulação pelos sentimentos e pela integração de valores.

- Dentro das diversas modalidades didáticas, incluir a explicitação dos sentimentos e dos valores para compreensão da regulação exercida por eles.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Vídeo-aula 8: A construção psicológica dos valores

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


O que são valores, numa perspectiva psicológica? Como são construídos e quais valores deve a sociedade priorizar nos processos educativos? Estas são algumas das questões abordadas nesta vídeo-aula.


O professor Ulisses Araújo da USP aborda as seguintes questões nesta aula:
  • É possível uma educação em valores?
  • Como se dão os processos de construção e/ou apropriação de valores?
  • Quais valores devem a escola ensinar?
O professor disserta, então, sobre como se dá o processo da educação de valores do ponto de vista psicológico. Para isso utiliza como referencial Jean Piaget:

“Os valores referem-se a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior. Surgem da projeção de sentimentos positivos sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmo.”

O professor enfatiza os valores com sentimentos, com a afetividade, dizendo sobre o que damos valor é aquilo que geralmente gostamos. Como construímos esta dimensão afetiva? Através da "projeção de sentimento", que é do próprio sujeito e não exterior a ele. Ainda como referência a conceituação de Piaget, o professor Ulisses destaca a afetividade como cultivada nas relações entre pessoas, em sua convivência.*

Os valores e os sentimentos morais “Dependendo dos valores com os quais o sujeito construiu sua identidade, e de seu “posicionamento” central ou periférico, aparecerão os sentimentos morais.Sentimento morais, como a vergonha e a culpa, exercem o papel de regular as relações intra e interpessoais e são experienciados quando o sujeito age contra os valores que são centrais em sua identidade.”

Através destas frases é apresentado um esquema sobre os "posicionamentos dos valores na identidade", onde percebemos a inter-ralação entre o sujeito psicológico e seu meio. Conforme o enraizamento de seus valores o sujeito se relaciona com seu meio físico, interpessoal e sócio-cultual. Desde o processo de socialização na infância vamos construindo nossos valores e isso vai se intensificando com o decorrer da vida e formará nosso núcleo moral como sujeito psicológico. As setas apresentadas no esquema mostram o dinamismo desta relação, sua fluidez. Ao mesmo tempo em que um sujeito é honesto com a própria mãe, pode não sê-lo com o governo de seu país ao não pagar seus impostos.

A consequência deste tipo de teoria do ponto de vista de educação é que esses valores podem mudar a qualquer momento. “Pau que nasce torno morre torto”, este ditado não é verdadeiro para este conceito, pois a pessoa pode reconfigurar seus valores e, por isso, não são determinados. Não há idade para o processo de construção de valores!

Quais valores nós gostaríamos que a sociedade trabalhasse?

A escola e a família precisam definir quais valores consideram essenciais para o convívio das pessoas na sociedade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um guia para ser usado como referência. Precisamos saber como trabalhar e quais valores serão trabalhados a partir de métodos, técnicas e conteúdos através de projetos desenvolvidos na escola com intencionalidade.



Como sugestão de Meily Cassemiro do blog http://meilycass.wordpress.com/ assista ao vídeo: Formação de Valores com Telma Vinha.


* Há um depoimento no filme "A carne é fraca" onde é colocado que as pessoas que cuidam de animais como porcos, galinhas, vacas, não os matam devido ao laço afetivo que foi criado entre homem / animal. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vídeo-aula 7: Educação e Ética

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A aula Educação e Ética procurará abordar alguns princípios relacionados ao tema da ética quando aplicado ao domínio da educação. Pensar a ética na escola significa meditar sobre as relações institucionais como um todo: a relação dos professores entre si; destes com os diretores e com os funcionários da escola; a relação entre professores e alunos; e finalmente a relação dos estudantes entre si. A despeito dessa complexidade que o tema evidencia, procurou-se restringir o campo da análise à questão dos procedimentos mediante os quais o docente poderá problematizar o tema da ética e dos valores com seus estudantes. Educar e produzir a cultura especificamente escolar requererá, de todo modo, eleger saberes e valores com os quais se dirigirá o processo de ensino-aprendizado. Meditar sobre isso é o objetivo desta aula.

Professora Carlota Boto

A professora Carlota inicia sua aula dizendo que a criança tem como sua primeira socialização a família. Porém, antes de atingir a socialização plena com a cidadania, ela (a criança) passa pela escola, ambiente no qual aprenderá seus primeiros passos para a vida social.

Neste período escolar os educadores convivem com o conflito autoridade versus liberdade. Este é o desafio, pois a criança ainda está na fase da heteronomia, ou seja, as regras são exteriores a ela.  A educação lhe proporcionará o avanço rumo a sua autonomia. Por isso, há uma intencionalidade pedagógica em nosso ensino não só teórico mas, também, com nossos exemplos práticos.

Em sequência a professora aborda a ética no período da Grécia Antiga. Nesta época a ética e a política seriam campos quase complementares. Platão e Aristóteles escreveram sobre estes temas tendo como sujeito o homem livre. Os gregos utilizavam ethos para falar de ética e os romanos utilizavam mores para falar de moral. Ambos significando costumes. Hoje, segunda a professora, conceituamos ética como "comportamento escolhido; adesão voluntária a um conjunto de regras de ação"; e conceituamos moral como "formas de agir socialmente recomendadas; exteriores ao sujeito, externas à opção individual".

O que há em comum entre as duas conceituações de ética e moral é a relação com o outro. Em educação o outro é o nosso aluno, o nosso colega, aquele que não somos nós. Temos que pautar a nossa ação possibilitando uma vida do bem e uma vida digna. Os gregos faziam essa correlação, falando sobre a vida boa e a ação correta.
A ética é sempre construída como um hábito, partindo de exemplos e ações. Vamos nos defrontar com o tema nas relações com os alunos, colegas de trabalho e funcionários da escola.

A Professora Carlota cita então a seguinte passagem de Aristóteles em sua obra "Ética a Nicômaco": "Estou falando da excelência moral, pois é esta que ser relaciona com as emoções e ações e nesta há excesso, falta e meio termo. Por exemplo, pode-se sentir medo, confiança, desejos, cólera, piedade e, em todos os casos, isto não é bom: mas experimentar estes sentimentos no momento, em relação aos objetos certos e às pessoas certas, e de maneira certa é o meio termo e o melhor, e isto é característico da excelência. Há também, da mesma forma, excesso, falta e meio termo em relação às ações. [...] A excelência moral, portanto, é algo como equidistância, pois, como já vimos, seu alvo é o meio termo.”

Esse trecho do Aristóteles nos leva a pensar nos desafios que dizem respeito à igualdade em lidar com o coletivo dos nossos alunos, porém pelo reconhecimento. Por outro lado, pela diferença. Somente nessa relação entre igualdade e fraternidade podemos preparar com a democracia. Assim, podemos lidar com a formação do comportamento de viver de maneira a não ferir o outro.


Citando Richard Sennett, 1988, páginas 323 e 324, ela diz “Cidade e civilidade têm uma raiz etimológica comum. Civilidade é tratar os outros como se fossem estranhos que forjam um laço social sobre essa distância social. A cidade é o estabelecimento humano no qual os estranhos devem provavelmente se encontrar. A geografia pública de uma cidade é a institucionalização da civilidade.”

Cita ainda as duas máximas kantianas na "Fundamentação da Metafísica dos Costumes": 

“Age de tal maneira a humanidade, tanto em tua pessoa como na de todos os outros, sempre ao mesmo tempo como um fim, e nunca como um meio. 
[...] Age de tal modo que  máxima de tua ação possa transformar-se em lei de validade universal.”


Para saber se a atitude que eu tomo em alguma situação pedagógica me leva a pensar se eu possa transformar uma ação em benefício de todos os outros. Devemos pensar na ética com relação a nós mesmos.


Perguntas da Ética:
  • Como e por que a ação é moralmente correta?
  • Que critérios devem orientar o pensamento?
  • O que devo fazer?

Ação correta:
  • Felicidade de todos
  • Toma o agente virtuoso
  • Acordo com regras determinadas
  • Justificada aos outros de forma razoável

Determinação da ação correta: ética normativa:
  • Que devemos fazer?
  • Qual a melhor forma de viver bem?

Ética aplicada: resolução conflitos práticos mediante princípios ética normativa.

Daí a importância do professor, juntamente com os alunos, expor claramente o "contrato pedagógico" ou os chamados "combinados". Onde o aluno é participe na construção das normas, das regras.

No convívio escolar devemos evitar as atitudes intolerantes que demonstram a dificuldade de conviver com o diferente, caracterizados por: 
- Juízos cristalizados; generalizações falsas
- Ideologias e falsificação da realidade

Por conseguinte, a importância da educação como instância privilegiada para se evitar/corrigir práticas de intolerância.

As atitudes tolerantes partem da confiança na racionalidade, na razoabilidade e no direito do outro: respeito e solidariedade.

Finalizando a aula, a professora Carlota cita a frase de Camps, 1996, página 11, sobre a ética da justiça e a ética do cuidado: “[...] a ética fala da justiça porque há desigualdade, fala da amizade porque não somos auto-suficientes, fala da democracia porque não existem sábios suficientemente capazes e competentes para governarem sem perigo de se equivocar.”

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vídeo-aula 4: A escola e a construção de valores

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES

Pensar na construção de escolas democráticas que almejem a construção de personalidades morais nos leva a compreender alguns dos diversos fatores que interferem neste processo dentro do cotidiano escolar. Sua identificação auxilia na compreensão da complexidade das relações presentes no cotidiano escolar e na busca por formas mais realistas de intervenção na educação para a cidadania. Os aspectos identificados, que serão abordados nesta video-aula, são: os conteúdos escolares; a metodologia das aulas; o tipo e natureza das relações interpessoais; os valores; a auto-estima e o auto-conhecimento dos membros da comunidade escolar; e os processos de gestão da escola.

Nesta vídeo-aula o professor Ulisses Araújo discorre sobre sete aspectos que a escola deve estar atenta para  transmitir realmente uma educação em valores.

O primeiro aspecto são os conteúdos escolares - a inserção transversal e interdisciplinar de temáticas de ética, direitos humanos, inclusão social e convivência democrática no currículo da própria escola. 

O segundo aspecto é metodologia das aulas - o professor precisa incorporar a construção coletiva, cooperativa do conhecimento; precisa haver o diálogo em sala de aula onde o professor se coloca ao mesmo nível do aluno; e, este, deve ter um papel ativo na construção do saber, de protagonista no processo de conhecimento.

O terceiro aspecto é o trabalho intencional com valores - o professor Ulisses sugere trabalhar com a Declaração Universal dos Direitos Humanos como referencial, pois traz os princípios éticos que julgamos válidos para todos.

O quarto aspecto são as relações interpessoais - construir sentimentos no dia a dia escolar como respeito, autoridade e admiração (o sentimento que promove a identificação entre a pessoa respeitada e a que respeita), novamente com uso do diálogo estabelecendo relações democráticas para a efetivação dos valores que desejamos.

O quinto aspecto é a auto-estima - a importância da auto-imagem onde cada ser humano constrói para si uma imagem que julga representá-lo, com a qual se identifica e se confunde (Harkot-de-La-Taille, 1999); esta auto-imagem é processada pela consciência onde cada um sente a auto-estima sobre si mesmo.

O sexto aspecto que também é muito importante na construção dos valores no ambiente escolar é o auto-conhecimento -  são os sentimentos e as emoções. Tomar consciência dos próprios sentimentos e emoções é essencial para a construção da ética e da democracia escolar.

O sétimo aspecto é a gestão escolar - pois, uma instituição em que as decisões sejam centralizadas nas mãos de um pequeno grupo, em que as regras e o projeto acadêmico já se encontrem pré-determinados a partir dos valores e crenças de algumas pessoas não permite o diálogo e a reorganização constante dos tempos e espaços, e a busca coletiva de novos e melhores caminhos para enfrentar os desafios cotidianos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Vídeo-aula 3: O juizo moral na criança

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES

Nesta aula discutimos as relações entre o ambiente escolar democrático e sua influência nos processos de desenvolvimento da cooperação e do juízo moral infantil. O ponto de referência é a teoria de Jean Piaget e seu livro de 1932, O juízo moral na criança.

Encontramos no livro didático "Filosofando", no capítulo 18, ninguém nasce moral: "Todas as pessoas precisam ser educadas para a convivência. O processo de aprendizagem supõe descentramento, um sair de si mesmo, tanto do ponto de vista da inteligência como da afetividade ou da moral. A descoberta do outro como um "outro eu" é fundamental para superar o egocentrismo. No entanto, o desenvolvimento desses três níveis mentais - inteligência, afetividade e moralidade - não é automático, porque exige a intermediação de agentes culturais - pais, professores, adultos em geral.
Do ponto de vista moral, a educação começa pela heteronomia, em que as regras morais são introjetadas sem crítica, até que possa alcançar a autonomia, típica da maturidade. Se na fase da heteronomia as crianças obedecem às regras que lhes são impostas, aos poucos é preciso abrir espaços de discussão a fim de estimular a adesão pessoal e autônoma às normas."
"Do ponto de vista moral, a vida do bebê é pré-moral e, portanto, nele predomina a anomia."
Ainda segundo as autoras do livro "A capacidade de reflexão dá condições para o amadurecimento moral, pela organização autônoma das regras e pela livre deliberação. Enquanto no estágio anterior prevalece o respeito unilateral, fundado em moral de coação, heteronômica, ao entrar na vida adulta torna-se possível o exercício do respeito mútuo, não hierárquico, típico das relações autônomas."