terça-feira, 25 de outubro de 2011

Vídeo-aula 12: Perspectivas atuais da educação em valores

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A educação em valores precisa para ser efetiva precisa ocorrer em todos os momentos da vida escolar, e não apenas em momentos específicos ou por meio de disciplinas. Para isso, precisa estar articulada com a comunidade do entorno da escola e ser baseada em situações da vida cotidiana das localidades onde vivem os estudantes.



Prof. Ulisses Araújo.
Como a comunidade escolar pode se envolver na construção de valores?
A articulação entre escola e comunidade acontece através de quatro movimentos:
  • Gestão por meio de um fórum;
  • Educação comunitária (para "fora" da escola);
  • Currículo e cidadania (para "dentro" da escola);
  • Protagonismo juvenil.
Qual é o papel do fórum escolar de ética e cidadania?
O fórum tem como papel essencial articular os diversos segmentos da comunidade, escolar e não-escolar, que se disponham a atuar no desenvolvimento de ações mobilizadoras em torno das temáticas de ética, democracia e cidadania no convívio escolar, tocando de forma específica quatro eixos de atuação: ética, convivência democrática, direitos humanos e inclusão social.
Como trabalhar o protagonismo juvenil?
Tanto em seu projeto político-pedagógico como em seu planejamento institucional, a escola precisa considerar a realização de projetos e ações que ao mesmo tempo, promovam o acesso aos bens culturais exigidos pela sociedade contemporânea e garantam uma formação política aos jovens de modo a lhes permitir participar da vida social de forma mais crítica, dinâmica e autônoma.

Vídeo-aula 11: Perspectivas atuais das Pesquisas em Psicologia moral

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A aula aborda conceitos e teorias importantes sobre a moralidade, na perspectiva da Psicologia Moral. Além disso, discute algumas implicações dessas descobertas para o campo da educação.

Profª Viviane Pinheiro diz que a moralidade faz parte da nossa identidade, de quem nós somos.

Os valores se situam na dimensão afetiva.
"Os valores referem-se a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior. Surgem da projeção de sentimentos positivos sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmos.” (Araújo, U. A construção social e psicológica dos valores. In: Educação e valores: pontos e contrapontos. São Paulo: Ed. Summus, 2007).

Sujeitos têm papel ativo na construção de valores.
Valores podem ser morais ou não.
A moralidade não se guia apenas pelo princípio da justiça.
Valores vão se constituindo como centrais e/ou periféricos no sistema moral do sujeito.
Importância das situações (contexto) que são vivenciadas pelo sujeito para essa construção.
Exemplo 1: Responsabilidade X Amizade. Recusa da ajuda de um amigo. O valor de responsabilidade se mostrou central e o de amizade periférico.

Exemplo 2: O valor de amizade é central e o de responsabilidade é periférico. O amigo se sente feliz em ajudar o outro amigo.Existe uma regulação dos valores pelos sentimentos.Os valores integram-se e vão se organizando no sistema moral dos sujeitos de uma forma hierárquica.A integração dos valores também exerce papel de regulação no sistema moral.

Exemplo 3: O sujeito tem amizade e generosidade como valores centrais e a responsabilidade atua como valor periférico.

Implicação dessas descobertas para a educação em valores:

- Papel ativo do sujeito na construção de valores.

- Educação moral, reflexiva e metodologia ativa de aprendizagem (sujeito se coloca no lugar de construtor do seu próprio conhecimento).

- Os valores podem ou não ser morais. Para isto é necessário trabalhar com diversos valores, não apenas com regras e deveres que devem ser cumpridos pelos alunos e alunas.

- Construção e elaboração dos valores como centrais e periféricos e a importância das situações (conteúdos do meio).

- Elaborar sequências didáticas e projetos voltados para a construção de valores pelos alunos e alunas em diversas situações.

- Regulação pelos sentimentos e pela integração de valores.

- Dentro das diversas modalidades didáticas, incluir a explicitação dos sentimentos e dos valores para compreensão da regulação exercida por eles.

Vídeo-aula 10: Interdisciplinaridade e transversalidade na educação

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A UNIVESP TV produziu um programa especial para o curso “Ética, valores e saúde na escola”: Interdisciplinaridade e transversalidade na educação. Nesse programa, especialistas como Nilson Machado, Pablo Mariconda e Edgar Morin discutem conceitos como interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e transversalidade, e são apresentados exemplos de projetos escolares apoiados nessas concepções teóricas.

Revista Nova Escola

Interdisciplinaridade: um avanço na educação

Em grandes grupos, em dupla ou até mesmo sozinho é possível integrar diferentes matérias e levar os alunos a compreender plenamente os conteúdos curriculares


MULTI, INTER E TRANSDISCIPLINARIDADE
 

A multidisciplinaridade acontece quando um tema é abordado por diversas disciplinas sem uma relação direta entre elas. Se o objeto de estudo for o Cristo Redentor, por exemplo, a Geografia trabalhará a localização; as Ciências tratarão da vegetação local; as Artes mostrarão por quem a escultura foi feita e por que está ali. Mas as abordagens são específicas de cada disciplina e não há interligação. Na interdisciplinaridade, duas ou mais disciplinas relacionam seus conteúdos para aprofundar o conhecimento. Dessa forma, o professor de Geografia,ao falar da localização do Cristo, poderia utilizar um texto poético, assim como o de Ciências analisaria a história da ocupação da cidade para entender os impactos ambientais no entorno. A transdisciplinaridade é uma abordagem mais complexa, em que a divisão por disciplinas, hoje implantada nas escolas, deixa de existir. Essa prática somente será viável quando não houver mais a fragmentação do conhecimento.



Como ensinar relacionando disciplinas

Parta de um problema de interesse geral e utilize as disciplinas como ferramentas para compreender detalhes.

Como um professor especialista, você tem a função de um consultor da turma, tirando dúvidas relativas à sua disciplina.

Inclua no planejamento idéias e sugestões dos alunos.

Se você é especialista, não se intimide por entrar em área alheia.

Pesquise com os estudantes.

Faça um planejamento que leve em consideração quais conceitos podem ser explorados por outras disciplinas.

Levante a discussão nas reuniões pedagógicas e apresente seu planejamento anual para quem quiser fazer parcerias.

Recorra ao coordenador. Ele é peça-chave e percebe possibilidades de trabalho.

Lembre-se de que a interdisciplinaridade não ocorre apenas em grandes projetos. É possível praticá-la entre dois professores ou até mesmo sozinho.


Vídeo-aula 9: Ciência e Educação

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


O Professor Luis Carlos de Menezes, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, discute as aproximações entre ciência e educação, demonstrando como a vida cotidiana pode inspirar o pensamento científico.

O Professor Luis Carlos de Menezes tem como primeira abordagem a "Ciência como Linguagem". O domínio desta linguagem é importante para o nosso cotidiano: ler uma bula de remédio, entender o noticiário da TV, do jornal, dos rótulos dos produtos.

A outra abordagem é a "Ciência como instrumental prático". O domínio deste instrumental também é importante para o nosso cotidiano: o gasto da energia elétrica em nossas casas, produzir hipóteses, portanto a ciência deveria estar presente em nosso dia a dia.

Finalizando o professor defende a ciência como visão de mundo. Para isto utiliza os exemplos das diferenças entre o celular e o controle remoto. O ensino da ciência deve ser discutida, debatida, ter atividades de acordo com a geografia da escola, de seu contexto.



O passo mais fundamental para estudar a ciência é saber como ela funciona. Infelizmente, vê-se com freqüência pessoas pensarem que a ciência é um "conjunto de achismos" e que as teorias científicas são apenas "idéias oriundas da cabeça dos cientistas". O vídeo explica de forma extremamente didática como funciona o método científico e o porquê ele merece a mesma credibilidade que oferecemos às tecnologias que utilizamos em nosso dia a dia.
A série "Fácil De Entender" explica as evidencias de nossas origens, do Big Bang a migração de humanos para fora da África. Esse vídeo explica como nós adquirimos essa sabedoria e como idéias vão de uma intuição no laboratório para teorias aceitas que são ensinadas nas escolas.  

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Vídeo-aula 8: A construção psicológica dos valores

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


O que são valores, numa perspectiva psicológica? Como são construídos e quais valores deve a sociedade priorizar nos processos educativos? Estas são algumas das questões abordadas nesta vídeo-aula.


O professor Ulisses Araújo da USP aborda as seguintes questões nesta aula:
  • É possível uma educação em valores?
  • Como se dão os processos de construção e/ou apropriação de valores?
  • Quais valores devem a escola ensinar?
O professor disserta, então, sobre como se dá o processo da educação de valores do ponto de vista psicológico. Para isso utiliza como referencial Jean Piaget:

“Os valores referem-se a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior. Surgem da projeção de sentimentos positivos sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmo.”

O professor enfatiza os valores com sentimentos, com a afetividade, dizendo sobre o que damos valor é aquilo que geralmente gostamos. Como construímos esta dimensão afetiva? Através da "projeção de sentimento", que é do próprio sujeito e não exterior a ele. Ainda como referência a conceituação de Piaget, o professor Ulisses destaca a afetividade como cultivada nas relações entre pessoas, em sua convivência.*

Os valores e os sentimentos morais “Dependendo dos valores com os quais o sujeito construiu sua identidade, e de seu “posicionamento” central ou periférico, aparecerão os sentimentos morais.Sentimento morais, como a vergonha e a culpa, exercem o papel de regular as relações intra e interpessoais e são experienciados quando o sujeito age contra os valores que são centrais em sua identidade.”

Através destas frases é apresentado um esquema sobre os "posicionamentos dos valores na identidade", onde percebemos a inter-ralação entre o sujeito psicológico e seu meio. Conforme o enraizamento de seus valores o sujeito se relaciona com seu meio físico, interpessoal e sócio-cultual. Desde o processo de socialização na infância vamos construindo nossos valores e isso vai se intensificando com o decorrer da vida e formará nosso núcleo moral como sujeito psicológico. As setas apresentadas no esquema mostram o dinamismo desta relação, sua fluidez. Ao mesmo tempo em que um sujeito é honesto com a própria mãe, pode não sê-lo com o governo de seu país ao não pagar seus impostos.

A consequência deste tipo de teoria do ponto de vista de educação é que esses valores podem mudar a qualquer momento. “Pau que nasce torno morre torto”, este ditado não é verdadeiro para este conceito, pois a pessoa pode reconfigurar seus valores e, por isso, não são determinados. Não há idade para o processo de construção de valores!

Quais valores nós gostaríamos que a sociedade trabalhasse?

A escola e a família precisam definir quais valores consideram essenciais para o convívio das pessoas na sociedade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um guia para ser usado como referência. Precisamos saber como trabalhar e quais valores serão trabalhados a partir de métodos, técnicas e conteúdos através de projetos desenvolvidos na escola com intencionalidade.



Como sugestão de Meily Cassemiro do blog http://meilycass.wordpress.com/ assista ao vídeo: Formação de Valores com Telma Vinha.


* Há um depoimento no filme "A carne é fraca" onde é colocado que as pessoas que cuidam de animais como porcos, galinhas, vacas, não os matam devido ao laço afetivo que foi criado entre homem / animal. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vídeo-aula 7: Educação e Ética

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES


A aula Educação e Ética procurará abordar alguns princípios relacionados ao tema da ética quando aplicado ao domínio da educação. Pensar a ética na escola significa meditar sobre as relações institucionais como um todo: a relação dos professores entre si; destes com os diretores e com os funcionários da escola; a relação entre professores e alunos; e finalmente a relação dos estudantes entre si. A despeito dessa complexidade que o tema evidencia, procurou-se restringir o campo da análise à questão dos procedimentos mediante os quais o docente poderá problematizar o tema da ética e dos valores com seus estudantes. Educar e produzir a cultura especificamente escolar requererá, de todo modo, eleger saberes e valores com os quais se dirigirá o processo de ensino-aprendizado. Meditar sobre isso é o objetivo desta aula.

Professora Carlota Boto

A professora Carlota inicia sua aula dizendo que a criança tem como sua primeira socialização a família. Porém, antes de atingir a socialização plena com a cidadania, ela (a criança) passa pela escola, ambiente no qual aprenderá seus primeiros passos para a vida social.

Neste período escolar os educadores convivem com o conflito autoridade versus liberdade. Este é o desafio, pois a criança ainda está na fase da heteronomia, ou seja, as regras são exteriores a ela.  A educação lhe proporcionará o avanço rumo a sua autonomia. Por isso, há uma intencionalidade pedagógica em nosso ensino não só teórico mas, também, com nossos exemplos práticos.

Em sequência a professora aborda a ética no período da Grécia Antiga. Nesta época a ética e a política seriam campos quase complementares. Platão e Aristóteles escreveram sobre estes temas tendo como sujeito o homem livre. Os gregos utilizavam ethos para falar de ética e os romanos utilizavam mores para falar de moral. Ambos significando costumes. Hoje, segunda a professora, conceituamos ética como "comportamento escolhido; adesão voluntária a um conjunto de regras de ação"; e conceituamos moral como "formas de agir socialmente recomendadas; exteriores ao sujeito, externas à opção individual".

O que há em comum entre as duas conceituações de ética e moral é a relação com o outro. Em educação o outro é o nosso aluno, o nosso colega, aquele que não somos nós. Temos que pautar a nossa ação possibilitando uma vida do bem e uma vida digna. Os gregos faziam essa correlação, falando sobre a vida boa e a ação correta.
A ética é sempre construída como um hábito, partindo de exemplos e ações. Vamos nos defrontar com o tema nas relações com os alunos, colegas de trabalho e funcionários da escola.

A Professora Carlota cita então a seguinte passagem de Aristóteles em sua obra "Ética a Nicômaco": "Estou falando da excelência moral, pois é esta que ser relaciona com as emoções e ações e nesta há excesso, falta e meio termo. Por exemplo, pode-se sentir medo, confiança, desejos, cólera, piedade e, em todos os casos, isto não é bom: mas experimentar estes sentimentos no momento, em relação aos objetos certos e às pessoas certas, e de maneira certa é o meio termo e o melhor, e isto é característico da excelência. Há também, da mesma forma, excesso, falta e meio termo em relação às ações. [...] A excelência moral, portanto, é algo como equidistância, pois, como já vimos, seu alvo é o meio termo.”

Esse trecho do Aristóteles nos leva a pensar nos desafios que dizem respeito à igualdade em lidar com o coletivo dos nossos alunos, porém pelo reconhecimento. Por outro lado, pela diferença. Somente nessa relação entre igualdade e fraternidade podemos preparar com a democracia. Assim, podemos lidar com a formação do comportamento de viver de maneira a não ferir o outro.


Citando Richard Sennett, 1988, páginas 323 e 324, ela diz “Cidade e civilidade têm uma raiz etimológica comum. Civilidade é tratar os outros como se fossem estranhos que forjam um laço social sobre essa distância social. A cidade é o estabelecimento humano no qual os estranhos devem provavelmente se encontrar. A geografia pública de uma cidade é a institucionalização da civilidade.”

Cita ainda as duas máximas kantianas na "Fundamentação da Metafísica dos Costumes": 

“Age de tal maneira a humanidade, tanto em tua pessoa como na de todos os outros, sempre ao mesmo tempo como um fim, e nunca como um meio. 
[...] Age de tal modo que  máxima de tua ação possa transformar-se em lei de validade universal.”


Para saber se a atitude que eu tomo em alguma situação pedagógica me leva a pensar se eu possa transformar uma ação em benefício de todos os outros. Devemos pensar na ética com relação a nós mesmos.


Perguntas da Ética:
  • Como e por que a ação é moralmente correta?
  • Que critérios devem orientar o pensamento?
  • O que devo fazer?

Ação correta:
  • Felicidade de todos
  • Toma o agente virtuoso
  • Acordo com regras determinadas
  • Justificada aos outros de forma razoável

Determinação da ação correta: ética normativa:
  • Que devemos fazer?
  • Qual a melhor forma de viver bem?

Ética aplicada: resolução conflitos práticos mediante princípios ética normativa.

Daí a importância do professor, juntamente com os alunos, expor claramente o "contrato pedagógico" ou os chamados "combinados". Onde o aluno é participe na construção das normas, das regras.

No convívio escolar devemos evitar as atitudes intolerantes que demonstram a dificuldade de conviver com o diferente, caracterizados por: 
- Juízos cristalizados; generalizações falsas
- Ideologias e falsificação da realidade

Por conseguinte, a importância da educação como instância privilegiada para se evitar/corrigir práticas de intolerância.

As atitudes tolerantes partem da confiança na racionalidade, na razoabilidade e no direito do outro: respeito e solidariedade.

Finalizando a aula, a professora Carlota cita a frase de Camps, 1996, página 11, sobre a ética da justiça e a ética do cuidado: “[...] a ética fala da justiça porque há desigualdade, fala da amizade porque não somos auto-suficientes, fala da democracia porque não existem sábios suficientemente capazes e competentes para governarem sem perigo de se equivocar.”

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Vídeo-aula 6: Temas Transversais em Educação

MÓDULO I - INTERDISCIPLINARIDADE, TRANSVERSALIDADE E CONSTRUÇÃO DE VALORES

Esta vídeo-aula está organizada em dois momentos diferentes: no primeiro, apresenta as diferentes concepções de transversalidade na educação, bem como as diferentes formas de trabalhá-las no cotidiano escolar; no segundo momento, apresenta um projeto transversal e interdisciplinar desenvolvido numa instituição escolar.


Professora  Valéria Arantes - Faculdade de Educação – USP
A vídeo-aula tem dois momentos:
1º momento: diferentes concepções de transversalidade
2º momento: prática de transversalidade

Segunda a professora Valéria cada cultura deve agir de uma maneira muito livre e cada comunidade ou instituição escolar deve eleger os temas prioritários a serem trabalhados. Na legislação brasileira, os Parâmetros Curriculares Nacionais sugerem que sejam trabalhados alguns dos seguintes temas: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural, trabalho e consumo.

http://meilycass.files.wordpress.com/2011/09/temas-transversais3.png
Acessado em 23 de setembro de 2011
Existem diferentes concepções de transversalidade e duas diferentes formas de promovê-las:

1ª Concepção: As disciplinas são o eixo vertebrados do currículo

A escola continua organizada ao redor das disciplinas escolares tradicionais (Matemática, Línguas, História, Geografia, Ciências, etc.). Isso quer dizer que o objetivo da escola é desenvolver o conhecimento destas disciplinas. Quando a escola se propõe a um trabalho com temas transversais isto ocorre, geralmente, das seguintes formas: 

  • Atividade pontuais
Quando são desenvolvidas na escola de maneira pontual. Exemplo: um professor de Ciências se programa para trabalhar durante uma semana sobre drogas, desenvolvendo ações de maneira pontual, dentro da disciplina na qual é responsável. Neste caso há a fragmentação da aprendizagem.

  • Palestras
Quando as disciplinas organizam palestras e acessorias sobre os temas transversais. Exemplo: quando a escola contrata profissionais para fazer ciclos de palestras ou cria uma disciplina sobre ética. Também há a fragmentação do conhecimento neste caso.

  • Projetos
Quando há o oferecimento de projetos interdisciplinares sobre temas transversais. Exemplo: ONG promove materiais ricos para trabalhar temáticas transversais. Esse material chega à escola os professores trabalham sobre um tema. Porém, não havendo diálogo entre as diferentes disciplinas, a transversalidade não acontece.

  • A incorporação da transversalidade
A transversalidade deve estar incorporada nas próprias disciplinas. Os professores defendem que não existe sentido trabalhar a cidadania fora das disciplinas. A grande crítica é que a prioridade continua sendo as disciplinas e não os temas transversais.

  • A partir de situações específicas
A transversalidade é trabalhada como momentos especiais a partir de problemas específicos. Exemplo: quando há desentendimento entre alunos no recreio a escola trabalha sobre valores. O perigo é cair no moralismo, pautada em valores individuais dos professores. Há a falta de sistematização e intencionalidade do trabalho.

2ª Concepção: Eixos "vertebradores" do currículo e as temáticas que são necessárias serem trabalhadas na comunidade. Perpassando transversalmente estão as disciplinas curriculares. 

Isso, segundo a professora Valéria, é uma mudança paradigmática muito importante. Os conteúdos tradicionais deixam de ser “finalidade” da educação e passam a ser concebidos como “meio” para se trabalhar os temas transversais.

As temáticas transversais são pontos de partida ou de chegada na formação do sujeito. Elas objetivam a educação em valores e tornam-se o eixo "vertebrador" (vertical no gráfico apresentado) do sistema educativo, em torno dos quais serão trabalhados os conteúdos curriculares tradicionais.

Esta segunda concepção é muito mais próxima do que desejamos mas é necessário reconhecer que ela continua promovendo determinada fragmentação à medida que as diferentes temáticas não se encontram, pois não existem articulações entre elas. Por isso, continuamos buscando novas metáforas para se conceber essa transversalidade.

Concepção 3: Novas metáforas para a transversalidade.

Estratégias que vão além da compartimentalização disciplinar (romper com a organização escolar); estratégias que tiram a escola do seu isolamento, conectando-a com o mundo externo.

O ponto de partida para um trabalho realmente interdisciplinar deve ser um tema relevante para uma determinada comunidade. Como exemplo podemos citar a poluição de um córrego que passa em determinada comunidade. Esse é um eixo "vertebrador" e a partir deste problema posso recorrer aos diferentes campos do conhecimento. Também poderia ser a sexualidade ou a violência. Isso exigirá um trabalho articulado entre diferentes professores para termos uma visão mais completa e complexa dos problemas sociais.